[Review] Katana Zero

Com a abundância de títulos independentes por aí, é fácil se afogar nesse mar de estilos. Há muitos games semelhantes, centenas de gêneros parecidos, podemos cair em um poço de “mais do mesmo” constante se não prestarmos atenção o suficiente.

Felizmente, a Askiisoft conseguiu desenvolver um game que possui uma jogabilidade parecida com muitos jogos de ação em side-scrolling, mas que se destaca por várias outras qualidades marcantes. Katana Zero é muito mais do que um corra-e-mate, ele é profundo, cheio de camadas, apaixonante do começo ao fim, e extremamente complexo. Um marco no gênero.

É importante dividir o game em suas camadas previamente mencionadas. No quesito JOGO, ele é perfeito no que se propõe. Controlamos o protagonista, um samurai moderno, em missões onde devemos eliminar os obstáculos com muita sanguinolência e criatividade para prosseguir para o próximo estágio. Tudo é feito como um planejamento prévio do personagem, ao errar, tudo volta e recomeçamos. Após o êxito, vemos um tipo de replay em tempo real, algo curioso. O samurai dá espadadas, rola, deixa tudo em câmera lenta, rebate balas, usa peças do cenário como armas e mais um pouco. Jogar essas fases cheias de ação dá aquela sensação de sermos bons jogadores, porém senti que poderia ter mais do que o game acaba proporcionando. Há poucas batalhas contra chefes, mesmo que cada uma seja muito satisfatória por si só.

Sua trilha sonora é linda. A cada nova missão, o personagem liga seu rádio/walkman/MP3 Player/tanto faz e manda vez em uma faixa exclusiva do game. Isso cria uma ambientação que Katana Zero faz muito bem. Junte isso a sua arte pixelada caricata e temos uma obra de arte em movimento. Definitivamente um dos pontos altos do jogo.

Outra camada importante a mencionar é sua narrativa. A história do guerreiro moderno sendo controlado por alguma entidade faz menções a Rambo, Apocalipse Now e vários filmes japoneses pós-guerra. Além disso, suas reviravoltas são dignas das histórias de ficção científica mais famosas já criadas, há dezenas de questões filosóficas sendo feitas regularmente, decisões que o próprio jogador é forçado a tomar devido a situações complicadas na aventura. Tem um quê de Hideo Kojima em alguns momentos, algo que pode ser considerado bom ou ruim dependendo do jogador. De qualquer forma, Katana Zero consegue chegar muito perto da perfeição em relação a execução e mescla de gêneros.

Após cerca de cinco horas de jogatina, notei como o tempo passou rápido, algo paradoxal se espelhado na história do game. Senti que poderia ter mais fases, mais desafios, algo a mais para me fazer voltar para a jogatina. Nessa parte, sinto que Katana Zero desperdiçou uma boa oportunidade para ser ainda mais completo, ainda mais memorável. Porém, nessa cebola há tantas camadas para arrancar que garanto que valerá a choradeira. Com certeza um dos grandes títulos de 2019.

Nota final: 9/10