[Review] Aeternoblade 2

Hoje em dia é difícil para um desenvolvedor inovar com seu próximo game. O medo de cair no “mais do mesmo” das lojas deve ser algo frequente, pois queremos destacar nosso produto em meio a um mar de possibilidades. Pensando nisso, a equipe da Corecell Technology decidiu misturar vários gêneros distintos para AeternoBlade 2, sequência de seu game de 2014. Mas será que toda essa mescla fez um bom prato?

A nova aventura segue três protagonistas com caminhos que se cruzam nas mais de dez horas de campanha. Temos Freyia, a heroína do primeiro game; Bernard, um guerreiro do reino de Chronos; e Felix, outro guerreiro e amigo de infância do previamente citado. Seus objetivos se juntam quando devem enfrentar um mal que quer trazer o desastre ao mundo.

A história de AeternoBlade 2 começa simples, mas de repente passa a oferecer tantas reviravoltas que fica fácil se perder. Dessa forma, o desenvolvimento dos personagens é tão sutil que pouco faz diferença. Além disso, há muitos momentos de puro clichê, algo que piora por causa da dublagem brega e sem inspiração. Faltou um casting mais competente ou, talvez, a remoção total das vozes para deixar os textos contarem a narrativa.

Inicialmente, o game começa como um título de ação em side-scrolling. Os personagens usam suas armas e atacam os inimigos com sequências de golpes. Freyia usa sua espada, Bernard um machado, e Felix uma arma que lembra bastante o chicote de Castlevania. Há combos que podem ser aprendidos, mas que no fim das contas são apenas estilosos. Notei que não fazia muita diferença entre socar o botão Y do Switch e apertar sequências mais variadas de botões.

Há elementos de RPG para desenvolver as habilidades dos protagonistas. Podemos gastar orbs para melhorar desde a barra de vida até os níveis de combos. Tudo é sub-utilizado, em especial porque em um certo momento, Bernard e Felix têm seus status maximizados do nada, deixando apenas Freyia para ser desenvolvida. Um enorme desperdício de um dos fatores do jogo.

E “desperdício” é o que mais senti ao jogar AeternoBlade 2. São tantos elementos misturados que nenhum deles consegue ter êxito. Além da jogabilidade em visão lateral, há momentos onde a aventura ganha uma perspectiva em terceira pessoa com uma falsa sensação de liberdade. É claro que tudo é difícil de controlar e em nada adiciona à jogatina. Os gráficos têm aquela cara 3D de gerações passadas, as cutscenes são muitas e pouco ajudam a compreender a história. Somando a isso temos a ideia de um metroidvania que nunca realmente se completa, dando ao jogador pouco motivo para explorar os mapas já visitados.

Mesmo assim, há o que se divertir com o game. É gostoso lutar contra os inimigos e é divertido resolver alguns puzzles. Os chefes são quase sempre interessantes de enfrentar, eles são criativos e oferecem um certo desafio ao jogador. A trilha sonora é épica e muito bem trabalhada. Porém nada disso é o suficiente para salvar essa mistureba desequilibrada de AeternoBlade 2. Uma pena, mas a sensação de que a ambição e a briga de ideias atrapalharam o game é extremamente clara.

Nota Final: 5,5/10

*Análise feita com código cedido pela distribuidora