[Review] Blasphemous

“Blasfêmia”

substantivo feminino
1.
enunciado ou palavra que insulta a divindade, a religião ou o que é considerado sagrado.
2.
POR EXTENSÃO
palavra, expressão ou afirmação que insulta ou ofende o que é considerado digno de respeito ou reverência.

Das hipérboles religiosas e do desejo catatônico kickestarteado, surgiu Blasphemous; o projeto mais ambicioso da desenvolvedora Game Kitchen. O game, com certeza, fará dilatar a pupila dos tementes à ira de Deus e daqueles regidos pelas páginas do livro sagrado. Prepare-se para imergir em um ambiente totalmente hostil e banhado pela culpa. Os diálogos, os cenários, o tom enigmático do protagonista, tudo te encaminha à um sentimento que raros jogos te levam.

O protagonista é Penitent One, sobrevivente da irmandade Pesar Silencioso, munido de sua espada Mea Culpa, tem como objetivo purificar a terra de Orthodoxia. Terra que um dia foi próspera e hoje é um conglomerado de seres moribundos tomados pelo pecado.

Blasphemous é um metroidvania concebido de um trabalho competente, onde a mecânica simples e funcional te dá a sensação de que as coisas são fáceis; Deslizar, pular, se pendurar, executar skills, parry moves, tudo ocorre de maneira responsiva. Mas vá com calma, em alguns momentos você terá vontade de se autoflagelar dada a dificuldade da aventura.

Com uma boa variedade de movimentos, equipamentos e habilidades para dar upgrade, você se verá obrigado a revisitar diversos lugares onde não era possível chegar no início da jornada, premissa básica da fórmula desse tipo de game.

Blasphemous é visualmente gratificante. Com uma arte pixelada de altíssima qualidade, ele te garante detalhes e cutscenes memoráveis no decorrer do enredo, que enriquecem e dão todo um tom religioso e até mesmo gótico à trama.

Sei que o jogo pede algo menos chamativo se tratando de trilha sonora, mas a tentativa de criar a ambientação, ao meu ver, não funcionou muito bem. O jogo é tão silencioso que não consigo me recordar de algum destaque no quesito música e nem dos efeitos sonoros. Um ponto negativo do título, sem dúvida.

Este é um trabalho minucioso da Game Kitchen. Blasphemous mostra que há uma dedicação exacerbada principalmente no enredo que vale ser conferida por quem curte ou não o estilo. Sua dificuldade é crescente, mas nada que um fã de desafios vai reclamar. Um bom game do começo ao fim.

Nota final: 8,3/10

* Análise feita com código cedido pela distribuidora.