[Review] Gris

“Luto” pelo dicionário se define como: “sentimento de tristeza profunda pela morte de alguém, conjunto de sinais externos que os costumes associam à perda de parente próximo ou pessoa querida”.

Por mais impossível que seja prevenir ou entender o luto, há um pequeno modelo criado pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross no qual diz sobre as 5 fases: Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Não confunda isso como uma checklist, pois cada um destes acontecimentos são realizados de maneiras diferentes dependendo de quem é afetado e cabe apenas a pessoa sair de tais fases. Mas como um videogame poderia abordar um assunto tão pesado e complexo como este? Acredite ou não, Gris o realiza muito bem.

Criado pela Nomada Studio em Dezembro de 2018, Gris começa simples, com uma pequena garota na palma da mão da estátua de sua mãe, ao se levantar para cantar, a protagonista não consegue fazê-lo, e assim a estátua se despedaça levando em si toda a cor e o cenário à sua volta. Ao negar a perda de sua mãe, a garota é transportada para um mundo vazio de preto e branco, evitando qualquer sentimento ao real acontecimento. Ao tentar cantar novamente, a personagem apenas solta um pequeno suspiro sem forças para nem ao menos olhar para frente. Assim começa o primeiro nível em Windswept Desert. Com uma introdução sólida como essa, é de se esperar algum tipo de tutorial ou mapa, e aí vem uma das pegadas fortes do jogo: não há nada disso, porém isso não é algo ruim, já que por sua simplicidade, o jogador nunca se sente perdido e sempre com pequenas pistas é fácil se manter no caminho certo. 

Enquanto caminha lentamente, o jogador encontra uma pequena estrela no qual será uma das mecânicas principais do título. A cada uma encontrada, podemos montar pequenas constelações ajudando a progredir por alguns momentos, passando assim pela fase da Negação. Depois de superada, Gris, a protagonista consegue liberar a cor vermelho de volta ao seu mundo, neste momento há belas animações e músicas no jogo que começam a ser usadas para um incrível tom criando uma atmosfera única de pesar e dor a cada momento. O game, então, segue por uma incrível linha de progresso a cada nova fase do luto. A personagem ganha habilidades para superar as dificuldades e trazer cores de volta, passando por um deserto e indo até os cantos mais obscuros do oceano. A reconstrução de pedaço por pedaço da estátua de sua falecida mãe serve como uma metáfora de despedida para nunca a esquecer, culminando em um final que dificilmente não trará lágrimas aos olhos de quem assiste devido a estupenda animação e música que acompanha toda a aventura.

Gris é um daqueles jogos no qual não há uma forma fácil de explicar, mesmo que a muito se assemelhe com outros títulos com a mesma temática e beleza como Rime, este jogo, em si, se destaca por suas belas animações que ajudam a entender os sentimentos da personagem, além de músicas que dão um tom incrível a atmosfera de cada nível e cenários belíssimos que recompensam grandemente a exploração e criatividade com as habilidades que lhe são dadas a cada nova etapa. Isto reflete em vários outros parâmetros, pois este game, em especial, dificilmente deve ser jogado apenas uma vez, já que há muito a descobrir. Ao juntar todas as estrelas e conquistas, um final secreto pode ser liberado incrementando ainda mais a história principal.

Este review foi feito na versão de PS4 cedida gentilmente pela Devolver Digital BR. Gris está em várias plataformas distintas, então não há qualquer desculpa para evitar dar uma pequena olhada neste jogo único cheio de cor, música e uma história sobre superação contra o mal silencioso que pode ser a dor da perda.

Nota Final: 10/10