[REVIEW] SUPEREPIC: THE ENTERTAINMENT WAR

Um jogo com um tema interessante e muita diversão!

É assim que a Numskull Games nos leva a entrar em SuperEpic: The Entertainment War, a mais nova aposta nos metroidvanias!

Em 2048 o mundo está sendo tomado pelo jogos free-to-play, a desenvolvedora RegnantCorp é a única existente viva no mercado, fazendo do seu monopólio um jeito ainda mais fácil de alienar as pessoas a sobreviverem gastando milhões com seus jogos de qualidades duvidosas, o importante é o que os consumidores geram de dinheiro à companhia. A sociedade vive agora sob o lema: “TRABALHAR, JOGAR E GASTAR”.

É um tema que de cara nos faz pensar sobre uma visão engraçada, de como os games free-to-play vem ganhando cada vez mais espaço no nosso mundo contemporâneo, sendo que muitas vezes nos vemos gastando muito mais neles do que nos jogos vendidos a preços tabelados. Não só por curiosidade, o maior fenômeno atual da indústria em rendimento anual é justamente um game ftp. Confesso que me parei pensando às vezes se esse titulo “SuperEpic” não estaria fazendo até uma alusão a produtora de Fortnite. Independente disso, o tema do jogo é interessante, e com dose certa de humor, evita deixar um clima pesado pela aventura.

A população aqui se resume a animais humanoides, onde os porcos estão no comando da empresa multimilionária RegnantCorp. Conhecemos Tantan, um quaxinim que escondido em sua casa consegue burlar o sistema da empresa e passa dias jogando bons games, até que vê sua TV sendo hackeada,  invadida por uma mensagem de um mascarado o convocando para uma rebelião contra toda a corporação de RegnantCorp. Em busca de conseguir sua liberdade novamente, Tantan se infiltra na empresa dos porcos, e para isso nada mais óbvio do que ele montar em sua lhama chamada Ola e atacar, ok… talvez isso não fosse tão obvio.  

Como já se espera de um metroidvania, você deve adquirir habilidades para assim ir abrindo novos caminhos por todo o mapa, continuando a exploração. Os ambientes são interessantes, é legal ver o detalhe dado por todo os cantos com o logo da empresa, detalhes como a sala em que porcos funcionários fazem o controles de câmeras, sala de recepção, etc. Algumas boas sacadas são vistas aqui também, locais em que você encontrará funcionários literalmente dormindo, como se o trabalho fosse nada empolgante.

TanTan não estará sozinho, e num dado momento encontrará a raposa Boxcar, uma personagem muito importante que possui uma das missões mais bacanas do jogo no subterrâneo profundo da RegnantCorp.

Cada área apresenta também um terminal que libera posições de algumas partes importantes do mapa, para isso existem pendrives espalhados que ao serem conectados nesses terminais, o ajudarão a liberar mais localizações. Outras salas, poucas na verdade, trarão alguns puzzles para serem solucionados, bem fáceis de resolver na sua grande maioria. O salvamento do jogo é feito nos banheiros. Já os atalhos, para ir de um canto ao outro mais rápido, serão feitos pelas salas de elevador.

O mapa é bem grande para se explorar, o ir e voltar, padrão do gênero, faz sua presença forte aqui, no entanto ao visualizarmos o mapa, às vezes podemos ter algumas confusões. Por suas áreas não serem bem destacadas (coloridas para se diferenciar, por exemplo) podemos nos perder um pouco em não decorarmos a posição de alguma sala importante que não tenha o destaque no mapa, vou dar um exemplo: existe uma sala que a funcionária pede que você ache os relatórios de bugs e a entregue, ao encontrar todos eu esqueci a posição da sala, tive que rodar muito pelo mapa para enfim encontrá-la.

O protagonista realiza ataques variados e combos durante os combates. As armas são um caso a parte, indo desde guarda-chuva, taco de golfe, até uma placa de “PARE!”. Os vendedores são personagens usando máscaras de porcos, exatamente como visto no membro do vídeo que te convocou para essa rebelião. Os porcos comandam e representam tudo de mal, restando a você confiar agora nesses animais, durante toda a aventura (e principalmente na parte final) senti uma pitada de referência ao livro de sátira politica “A Revolução dos Bichos” de George Orwell: “Já se tornará impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.  

SuperEpic: The Entertainment War é carregado de bons gráficos, inimigos se renovando a cada nova área, e uma excelente animação. Há boas variação de cenários, curti bastante a arte por todo o trajeto do mapa, algo que ajuda a manter bem o carisma do jogo. A trilha sonora é sem dúvidas um dos pontos altos, cada área com uma música muito boa, marcantes em sua grande maioria, foi um excelente trabalho de composição, que vale ser destacado.

O game te deixa claro que tudo é pra fazer alusão a gastar, você vai ter que ir derrotando inimigos, colhendo moedas que eles deixam, e ir gastando e gastando. Comprar armas exige dinheiro, upá-las exige dinheiro, melhorar sua barras de energia, stamina ou rage, exigem dinheiro, adquirir habilidade exigem jóias, uma outra forma monetária encontrada em algumas salas. Mas a sacada mais genial de SuperEpic: The Entertainment War está em algumas salas em que você encontrará um mecanismo trancado, e para liberá-los, você deve ativar o QR CODE encontrado ali e utilizar seu smartphone para ler, abrir um site de um jogo mobile free-to-play da RegnantCorp, terminá-lo e assim conseguir uma senha que ao digitar você abrirá essas passagens bloqueadas pelos mecanismos. São jogos simples, que com um pouco de dedicação você já termina, a idéia é te manter jogando os jogos da empresa mercenária que nada mais é do que pequenas cópias de alguns sucessos como Candy Crush, Flappy Bird ou os famosos jogos de RUN. Os comandos desses jogos respondem bem, são simples, mas bem feitos. É um jeito de deixar o jogador cada vez mais dentro de todo esse mundo de SuperEpic, cada vez mais jogando e gastando.

Apesar dos problemas que tive com a visualização do mapa no menu, explorar as áreas de SuperEpic: The Entertainment War foi uma experiência bem satisfatória, a empolgação ao descobrir uma nova habilidade e poder liberar novos cantos do mapa era imensa. Existem alguns lances encontrados na aventura que ajudam a sair bastante da mesmice. Demorei em média de 15 horas pra liberar os 100% do mapa, quando terminei o jogo, me deu aquele pequeno vazio de quando se termina um bom título, e que não teria mais o que fazer em SuperEpic. Mas tudo bem, pois em determinada parte do jogo (um pouco mais da parte inicial) é liberado um modo Roguelike, disponível no menu a toda hora que você quiser jogar. Uma adição a mais ao pacote. Apesar de ser um gênero completamente diferente do principal, é uma ótima sobrevida ao game.

SuperEpic: The Entertainment War traz uma crítica bem humorada aos sucessos cada vez mais abusivos dos jogos free-to-play, e muita diversão. Ainda esconde dentro dele várias referências a alguns games clássicos e outras coisas da cultura pop. É acima de tudo um ótimo metroidvania, os fãs do gênero vão adorar!

Nota Final: 8/10

*análise feita para a versão de Nintendo Switch, com código cedido pela distribuidora