[Review] StarExcess

*Análise escrita por Jorge Miashike

Starexcess é um shoot ‘em up com rolamento, do inglês scroll, automático na vertical da desenvolvedora e publicadora Super16bits. A história do game fala sobre um grupo de personagens que luta para acabar com a tirania no planeta Shambala. O enredo e personagens possuem referências de Guerra nas Estrelas, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, entre outras obras de ficção científica. Um problema que há em Starexcess é não apresentar o nome de alguns personagens importantes, os apresentando ao jogador apenas ao fim da aventura.

Na tela inicial do game, dentro das opções, o jogador pode configurar os gráficos com filtros diferentes para deixá-lo a seu gosto. Tudo foi feito em arte pixelada, todas originais. Algumas naves possuem uma quantidade maior de quadros de animação do que outras, basicamente as principais e os chefes de fase. Isso é um ponto negativo, pois tira a exatidão do jogador.

Quando se inicia Starexcess, o jogador pode começar uma nova partida ou continuar de uma fase anterior onde tenha morrido ou desistido. Pelo fato do jogo ser longo, são sete fases bem extensas, é uma opção para aqueles que não possuem tempo para terminá-lo numa única sentada. Nada mal para a conveniência.

Em todo início de fase há uma história com os personagens e, logo em seguida, o jogador pode optar entre três naves, cada uma com características próprias. Escolhi a nave vermelha por ter o melhor poder de fogo entre as três. A pior é a azul, pois seu baixo poder de fogo é inútil contra chefes de fase em estágios mais avançados.

Aqui, tudo certo em relação ao controle da nave e seus ataques, cada veículo possui dois tipos de tiro, onde um é mais forte e influencia na velocidade de movimentação. E também há a bomba, que destrói inimigos menores, causa danos nos maiores e limpa a tela dos tiros. Porém, ao morrer perdemos qualquer bomba extra que adquirimos, “resetando” totalmente a nossa navinha.

Pela longa duração das fases, todas levam mais de 10 minutos para alcançar seu fim, mesmo as músicas mais interessantes acabam ficando maçantes com o tempo. A inexistência de música nos chefes de fase acaba comprometendo ainda mais a trilha sonora. Apesar de haver um visual interessante no cenário da quarta fase, onde há uma simulação de rolamento veloz, a inalterada velocidade dos inimigos acaba por tornar o efeito sem aplicação prática.

Há três tipos de itens que aparecem durante o jogo: vida extra, energia e bomba. Em relação a eles, Starexcess é bem generoso. Acredito que o game assim o seja por conta da caixa de colisão, do inglês hitbox, de sua nave, pois ela é enorme, então é preciso administrar bem seu estoque, pois muitas vezes será preciso sacrificar algumas vidas para passar por alguns obstáculos.

Apesar da fartura de itens, eles não ficam quicando na tela como acontece em muitos jogos de nave, aparecem aleatoriamente de qualquer inimigo destruído e possuem diversas velocidades, não é raro aparecer um item longe de você e sair da tela rapidamente.

Talvez haja uma confusão em relação ao subgênero que o jogo se enquadre, há muitos elementos que remetem aos games do estilo chamado bullet hell, do japonês danmaku, entretanto uma exigência em jogos nesse estilo é uma caixa de colisão da sua nave ser bem pequena, ao contrário do que encontramos em Starexcess. A maior dificuldade do jogo não está nas fases, mas sim em alguns chefes, pois alguns deles, principalmente na parte final do jogo, possuem padrões de tiro quase impossíveis de serem desviados sem tomar dano.

Ao final de cada estágio, o jogo apresenta a pontuação do jogador, entretanto não ficou claro quanto vale cada vida e bomba restante e o número de inimigos destruídos. Para aqueles que jogarem a aventura por pontos, atenção para anotarem sua pontuação ao final de cada fase, pois o jogo não tem registro de placar. Ao final da jogatina, os seus pontos aparecem após a destruição do último chefe. Há um bug na última parte do jogo no qual não apresenta os créditos finais, para vê-los é preciso continuar o game na tela inicial.

Após jogar a aventura de ponta a ponta, cheguei a conclusão de que Starexcess é um game de nave ruim. É uma pena que desperdice um visual tão legal, mas a parte mais desagradável do jogo não é ele em si, mas o preço pelo qual está sendo vendido. A maioria das pessoas sabe o valor de seu trabalho, e para o desenvolvedor Andrés Batista não deve ter sido nada fácil desenvolver o título, pois acredito que mesmo com esse resultado, não foi um produto que saiu da noite para o dia, entretanto, como consumidor, acredito que ele esteja sendo vendido por um preço muito acima de outros títulos do mesmo gênero e que possuem um acabamento melhor.

O jogo está disponível na Steam e foi lançado em 21 de novembro de 2019.

Nota Final: 05/10