[ESPECIAL] A importância dos games indies

Pense no contexto: Jogos com a mesma “pegada” sendo lançados frequentemente, todos seguindo a tendência do momento, cada título que jogamos se assemelha demasiadamente ao anterior e ao próximo que vamos jogar. Mesmo havendo exceções aqui e ali, essa é – e sempre foi – a cara da indústria dos chamados “Triple A”.

Meawja

Na década de 90, com a ascensão dos personagens com “atitude” como Sonic, muitos nomes nasceram para abocanhar essa nova moda: Earthworm Jim, Bubsy, Awesome Possum, etc. Há pouco tempo atrás tivemos o boom de jogos FPS com Counter Strike, Medal of Honor, Call of Duty, entre outros. Mais recentemente, tivemos uma E3 onde a “sacada” era games que utilizavam arco e flecha como um aspecto importante da jogabilidade. Como o principal foco da indústria de games é vender (e não há nada de errado com isso), faz sentido as empresas grandes seguirem essas tendências. Porém, para aqueles que buscam com animação por novidades e criatividade, os indies estão aí para nos satisfazer.

É claro que os jogos independentes não são importantes apenas por oferecer criatividade. Muitos são a porta de entrada para profissionais que vão recriar famosas séries em estúdios gigantes em um futuro próximo, também servem para testar novas tecnologias e formatos, dar experiência a desenvolvedores e artistas, etc. Mas tudo isso acaba, de uma forma ou de outra, abraçando a ideia da inovação.

Transistor

Há centenas de títulos indies sendo lançados diariamente, a maioria tem dificuldade em ser visto pela mídia e pelos jogadores, é a partir daí que um desenvolvedor independente acaba exigindo de si e de sua equipe que o seu game tenha o “algo a mais”, pois esse é um ótimo ponto de partida para conseguir algum destaque. Essa primordialidade é o que empurra essa tão crescente indústria a patamares incríveis e necessários em uma indústria tão favorável à mesmice como a de games. O melhor é que a inovação pode não surgir apenas no fator jogabilidade, mas em outras áreas como narrativa e artística.

Celeste é uma aventura que tem uma mecânica de plataforma desafiadora, mas também oferece uma história inesquecível com personagens palpáveis e uma trilha sonora maravilhosa. FEZ possui um grande foco em sua jogabilidade diferente com camadas que poucos outros jogos trazem. Coffee Talk pega um gênero popular como o visual novel e acrescenta uma mecânica de produção de cafés e bebidas quentes, algo pouco visto até então. São tantas opções que diferem de um jogo a outro que é fácil se sentir sobrecarregado com tantos bons games sendo lançados.

Coffee Talk

É verdade que há, também, momentos onde os indies acabam entrando em tendências (metroidvanias, estou falando com vocês), mas mesmo nesses casos, os produtores se esforçam ao máximo para criar algo em seus produtos que os distancie de outros inicialmente parecidos. SteamWorld Dig em quase nada se parece com Dead Cells, por exemplo.

A principal importância dos títulos independentes é a de renovar uma indústria que adora se estagnar. Eles exigem de si mesmos com grande frequência, pois precisam e querem ser vistos. Além disso, não é nada fácil enfrentar grandes nomes como EA, Ubisoft e Activision, pois se lançassem títulos similares à dessas companhias, a chance de serem ignorados seria enorme. Vamos somar toda essa necessidade à vontade de querer oferecer produtos mais pessoais, com a cara de sua equipe, quase como uma composição musical para seu seleto grupo de fãs.

No fim das contas, abraçar os indies é abraçar a novidade.

Celeste