[Review] Exit the gungeon

A partir de uma continuação completamente diferente do original, um bom truque para não alienar nenhum jogador, Exit the Gungeon é um jogo que mistura momentos divertidos e inesperados com situações frustrantes e cansativas.

Boas-vindas e, agora, por favor, vá embora

Exit the Gungeon é a continuação de Enter the Gungeon. Dizer isso pode parecer bobeira, mas, por mais que eles compartilhem a temática e alguns elementos em comum, sair é muito diferente de entrar. Aqui, a proposta é outra: sair de um ambiente o mais rápido possível, da forma mais profissional possível.

Enquanto o primeiro jogo trazia uma jogabilidade com câmera isométrica e exploração não linear, a continuação propõe um jogo side-scrolling, com uma ação desenfreada que carrega o jogador do ponto “a” ao ponto “b” sem ele ter muita interferência no caminho feito.

A proposta é ver até onde você consegue subir o elevador para a saída da Gungeon, passando por diversos inimigos, chefes e ambientes – estes gerados de maneira aleatória, afinal, morrer é bem comum no título, a ideia é que cada experiência seja diferente da anterior.

Exit the Gungeon is fantastic, but bring a controller ...

Colocando o “inferno” em bullet-hell

Há poucos jogos que fazem o que Exit the Gungeon fez comigo: suar como se tivesse ido à academia. A escapada do calabouço é muito, mas muito intensa e frenética. Se o seu personagem está no ar ou dando cambalhotas, ele não pode ser acertado – justamente por isso você estará se movimentando o tempo todo, sem parar, desviando de tiros e inimigos diversos.

A freneticidade da experiência é, pra mim, o ponto mais positivo. É muito divertido andar, pular e atirar por aí. O formato dos inimigos é interessante e cada um tem um padrão único, e, por isso, é muito gostosa a sensação de se estar dominando a jogatina.

Os chefes são, talvez, a parte mais desafiadora e divertida de se conquistar. São muitos – e diferentes entre si, seja em mecânica, identidade ou apresentação. Ainda, é maneiro como a aparição deles não é necessariamente sequencial, você pode encontrá-los de maneiras inesperadas e se surpreender com a chegada de um novo vilão para te desafiar.

Um jogo de celular?

Na comunidade de jogadores, há um certo preconceito com jogos mobile. Eu, particularmente, acredito que sistemas móveis são, sim, legítimos consoles de videogame, porém, entupidos de jogos péssimos. Exit the Gungeon não é péssimo, muito longe disso, porém, definitivamente, é um jogo de celular.

O título apresenta um formato de “partidas rápidas”, você começa, sobe o quanto conseguir e eventualmente morre, para voltar e repetir o processo novamente. Esse vai-e-vem pode ser, para alguns, cansativo e repetitivo. A forma que o game apresenta para tentar superar este problema de estrutura é com o sistema de armas.

É um sistema único, sim, mas extremamente frustrante. De tempo em tempo, seu personagem irá trocar de arma durante a partida. São diversas trocas durante cada subida no elevador, e, inclusive, são muitas armas, bem diferentes entre si. O problema é que nem todas elas são divertidas de se usar e, às vezes, o jogador pode ser brutalmente penalizado durante uma luta em que tudo estava dando certo e a culpa é de uma troca de armas aleatória que estraga todo o andamento do seu jogo.

Esse lado aleatório é o que dá ao título um ar maldito e injusto, muito presente em jogos de celular semelhantes (e gratuitos, o que não é o caso de Exit the Gungeon). Eu não acho que necessariamente o formato “tente-morra-repita” é essencialmente negativo, mas aqui acaba por ser: na maior parte das vezes em que eu morri depois de entender as mecânicas do jogo, morri por culpa de uma sequência de trocas de armas péssimas que não me ajudaram em nada.

É maneiro, sim, como na versão de Switch não há nenhuma compra dentro do aplicativo que ajude na “progressão”, mas parece que o jogo, às vezes, foi desenvolvido com este pensamento em mente, por mais que não seja o caso. É uma escolha de design que retira o desafio para depositar em uma boa sorte que pode, sim, ser muito frustrante

Joguei usando um controle, afinal, é a única opção disponível no Switch, porém, nas plataformas móveis, pode-se ter a experiência usando controles de toque. Honestamente, eu não vejo como eles podem funcionar muito bem, mas não os testei, então não posso afirmar nada. Tenha essa review em mente nas plataformas em que se é possível utilizar um controle de videogame!

Veredito

Exit the Gungeon é o famoso jogo que agrada e frustra meio que ao mesmo tempo. É um bullet-hell intensíssimo, voraz e frenético, com um bocado de ideias boas às vezes mal aplicadas. A apresentação, ambientação e a trilha sonora são elementos impecáveis da experiência, ao mesmo tempo em que, sim, é desafiador e divertido,

Porém, a jogatina é injusta e muito aleatória, o que pode levar o jogador à desistir da aventura antes de lutar contra todos os chefes. É irritante sentir que o game tira do jogador a habilidade de prosseguir por uma mera mudança ou uma dificuldade artificial, isto é, que não depende de quão bem o jogador está se saindo.

Ele diverte, mas frustra. Que dá uma sensação de orgulho, mas também te rouba. Exit the Gungeon é uma continuação inesperada, ousada e única, mas falha em alguns aspectos que, se corrigidos, poderiam levar o jogo para um patamar além do que os sistemas dele proporciona. Se você é fã do gênero, pode mergulhar, caso contrário, espere uma boa promoção

Nota final: 6.5/10

* Análise feita com código cedido pela distribuidora

Os preços, nas plataformas digitais, são:

Nintendo Eshop Brasil: R$ 37,00
Nintendo Eshop USA: US$ 9,99
Steam: R$ 20,69
Apple: Somente pelo Apple Arcade (iOS, iPad OS)
Google Playstore, Sony Playstation Store e Xbox Live: não há data, mas virá eventualmente.