[REVIEW] Streets of Rage 4

Desde o último jogo lançado em 1994, a expectativa e a mística em volta da franquia Streets of Rage sempre foram gigantes. De jogos que começaram como um projeto do quarto título da franquia e acabaram se tornando outro (Fighting Force) a até mesmo esboços de character design e um pequeno gameplay bem embriônico para Dreamcast. Porém nada foi tão devastador quanto o trailer que a LizardCube soltou em 2017, e dias depois o anúncio do envolvimento de Yuzo Koshiro e Motohiro Kawashima na trilha sonora.

No dia 30 de abril de 2020 finalmente recebemos o lampejo de carinho vindo de três equipes: Guard Crush, LizardCube e Dotemu, que tiveram a missão de trazer de volta a era de ouro dos beat ‘em ups.

Vagner Oliveira e Jorge Miashike tiveram o privilégio de jogar a versão da Steam em modo cooperativo e vamos bater um papo sobre nossas impressões. Esse review será um pouco diferente do padrão. Esperamos que gostem.

Vagner: Caramba, Jorge, Streets of Rage é uma franquia tão importante e marcante pra mim que talvez eu passe longe de fazer uma avaliação técnica. O que te vem à mente quando pensa na série?

Jorge: A música. Eu conheci o jogo através de uma edição da Supergame da época que tinha o jogo Fantasia na capa, se não me engano, aí tinha o review do primeiro SoR e eles enfatizavam bastante a trilha sonora de Yuzo Koshiro. E você, Vagner, como conheceu o jogo?

Vagner: O meu primeiro contato foi literalmente com o jogo, não tinha visto em revistas e ninguém tinha comentado nada comigo antes. Um amigo me chamou pra mostrar um jogo que ele estava jogando e era Streets of Rage. Eu fiquei boquiaberto com a pancadaria coop rolando (coisa que na época só víamos em arcades) embalada pelas batidas do Yuzo. Foi sensacional! Depois de tantos anos você tinha esperança de que a franquia fosse revivida? Como foi receber a notícia de um quarto game?

Jorge: Eu sinceramente não tinha expectativa nenhuma de ter um jogo novo da franquia, a última coisa que eu soube sobre um jogo novo de SoR foi um game de Dreamcast que foi cancelado. Então me pegou totalmente de surpresa o anúncio de um novo título. Cara, nós jogamos juntos a versão para PC através da Steam e finalizamos o game, você acha que o Streets of Rage 4 conseguiu atender as suas expectativas com o material divulgado através de trailers e gameplays que foram mostrados até seu lançamento?

Vagner: A minha maior preocupação era com a jogabilidade. Porque graficamente o jogo é muito bonito e detalhado, mas nada disso valeria a pena se a jogabilidade fosse ruim ou fugisse das características da franquia. A minha sensação foi de jogar um SoR com uma roupagem nova, com a mesma jogabilidade e características de comandos dos seus irmãos mais velhos. É perceptível que houve muita preocupação da desenvolvedora pra que isso não se perdesse. Os golpes, a possibilidade dos combos, os especiais, a grande responsabilidade de trazer Adam novamente para o time com apenas a referência ao primeiro Streets of Rage, a meu ver, a execução de tudo foi muito boa.

Jorge: Concordo com você, meu amigo. E acrescentaria que os desenvolvedores tiveram bastante cuidado em colocar diversas referências dos outros jogos como easter eggs, que podem ser encontrados durante as fases e nos inimigos. É o tipo de fan service que eu gosto.

Vagner: Agora partindo para o momento crucial e de certa forma tão esperada por todos, o que achou da trilha sonora, Jorge?

Jorge: Eu gostei bastante de todas as músicas, por incrível que pareça não foram as músicas dos compositores japoneses: Yuzo Koshiro, Motohiro Kawashima, Harumi Fujita e Yoko Shimomura que me chamaram mais atenção, a música que mais gostei foi Rising Up de Olivier Deriviere. Você estava me contando sobre a aparição de um artista no jogo, poderia comentar a respeito?

Vagner: Tem um easter egg bem bacana onde aparece o Donald Glover (Childish Gambino) caracterizado como no clipe de “This is America”. A Dotemu confirmou o easter egg e disse que a razão de ter essa homenagem no game, é por ele ter usado um sample da música “Slow Moon” (Streets of Rage 2) em “Hold you Down”, que está no álbum Camp. “Rising up” realmente é uma música muito boa, mas minha favorita é “They’re Back”. Nas primeiras notas você já sente aquela vibe dos jogos anteriores juntamente com a satisfação de ver a galera reunida novamente contra o sindicato. Nós sabemos que nem tudo são mil maravilhas, pra você Jorge, qual foi o ponto mais fraco do jogo?

Jorge: Não tem um ponto mais fraco, mas tem algumas coisas que eu não gostei. Por exemplo, alguns dos ataques oponentes que não acertam os inimigos, o especial da Estel só acerta em você, enquanto que os ataques das incendiárias acertam todos os inimigos, inclusive nelas mesmas. O visual do inimigo sem camisa e mão no bolso não curti e a ausência de corrida de alguns personagens acho que é uma involução em Streets of Rage 4.

Vagner: É verdade, Jorge. Além desses pontos, o enredo não foi dos mais bem elaborados. Os chefões serem os gêmeos Mr. Y e Mrs. Y (filhos de Mr. X) não foram as escolhas mais criativas, mas se tratando de um beat ‘em up não é algo tão relevante. Então Chegamos ao momento das considerações finais, quais são as suas, Jorge?

Jorge: Em minha opinião, Streets of Rage 4 não é o melhor jogo da franquia, mas não deixa de ser um bom jogo. Ele é um beat ‘em up bastante divertido, com ótima jogabilidade e trilha sonora, possui diversas opções para você explorar, jogar com todos os personagens, descobrir as fases secretas, terminar em diversas dificuldades e o modo mais divertido para mim é o arcade. Esse é o modo de jogo onde não há continue, acabaram suas vidas, já era.

Vagner: Como eu disse no início do bate papo, minha avaliação dificilmente seria técnica. Nas minhas considerações, levarei em conta o momento que o game chega às nossas mãos. Fazia muito tempo que eu não via a comunidade gamer sensibilizada e feliz com o lançamento de um jogo. Os comentários em grupos de WhatsApp, Facebook, YouTube etc, todos com muita comoção e bem no meio de um recente remake muito aguardado. Muitos de nós crescemos desarticulando inúmeras vezes a organização de Mr. X e surrando seus capangas. Ver a possibilidade de reviver tudo isso mais uma vez, podendo jogar com um amigo que no momento não pode estar próximo, é maravilhoso. Por causa desse jogo me reconectei com pessoas que não falava há muitos anos. Claro que Streets of Rage 4 tem os seus defeitos, mas o que esse lançamento simboliza, é muito maior do que todos eles. É praticamente uma ode à geração noventista que no meio de tantos triple A, só querem sentar o braço em uns vagabundos das ruas.

Nota do editor: Este é um daqueles games que realmente consegue nos deixar muito felizes, então acredito que uma nota final jamais definiria o carinho e as memórias destes dois redatores. Sendo assim, dessa vez vamos deixar o número de lado.

Vagner Oliveira escreve para o Indie ON, mas também escreve para um site bem bacaninha chamado Dimensão 42.

Jorge Miashike colabora semanalmente para o Indie ON, mas também pública no DGDC News e tem um canal no YouTube.

Confira a nossa entrevista com Ben Fiquet, o diretor criativo de Streets of Rage 4.