[REVIEW] Magicolors

Criativos desafios de puzzles te esperam nesse mais novo indie brasileiro. Desenvolvido pela equipe da Virtual Arts Studios, e publicado pela QUByte Interactive, MAGICOLORS trás um feiticeiro que, buscando se aperfeiçoar na arte da magia, parte para uma jornada de desafios.

Queria já dizer que um dos slogans que vi de Magicolors é “UM JOGO DE PUZZLE COMO NENHUM OUTRO”, sou obrigado a concordar que fui bem surpreendido positivamente com os tipos de desafios aqui encontrados.

Em Magicolors jogamos num cenário estilo tabuleiro. Temos como objetivo a cada fase, fazer nosso feiticeiro usar seu cajado para lançar um raio capaz de coletar poderes de cristais, porém uma regra é básica aqui, deve se acertar 3 cristais da mesma cor de maneira que estejam alinhados ao dispararmos, assim a energia dos cristais serão coletadas. Ou seja, se apenas 2 cristais forem acertados com nosso cajado, e um outro deles não, é onde teremos que descobrir a forma de acertar os três juntos, remexendo a posição de nosso personagem no tabuleiro ou até mesmo a altura de onde estão esses cristais.

É nessa fórmula onde Magicolors procura renovar nos jogos de puzzle, você com certeza já deve ter experimentado algum título com essa fórmula similar de união de cores (em puzzles games temos isso em jogos como Bust-a-Move, Puyo-puyo, etc), mas aqui o conceito é bem mais ousado, e sua aplicação interessante e instigadora.

No quesito jogabilidade, temos um bom controle pelo tabuleiro todo para realizar nossas ações, podemos girá-lo, podemos mudar nossa visão para a de cima do tabuleiro (facilitando muito em alguns casos).

A jogabilidade é bem direta, selecionamos pelo tabuleiro o ponto onde queremos que nosso feiticeiro ande e com um simples clique de botão ele segue e se fixa exatamente no piso onde selecionamos no cenário, e com outro botão disparamos nosso cajado na direção de um outro ponto selecionado, afim de nossa magia ser disparada de forma exata e acertar a linha de 3 cristais da mesma cor.

Essa é a mecânica básica de início, ao longo da jornada novos poderes vão sendo liberados a nosso personagem, e necessitaremos deles para resolver certos desafios. Digamos, por exemplo, que três cristais num cenário não estão devidamente sendo atingidos ao dispararmos a magia, pois um cristal poderá estar sob um bloco, ficando mais elevado e fora da linha dos dois anteriores, porém, existe um poder que adquirimos de se derrubar alguns blocos, conseguiremos assim usá-lo, e descer esse cristal até o ponto de deixá-lo paralelo aos outros dois cristais e poder ser atingidos com nossa magia.

Ou seja, conforme as novas habilidades vão aparecendo, mais nós teremos que usar a cabeça para resolver as fases, pois se ampliam a forma dos desafios serem resolvidos.

E tem mais, nos primeiros estágios temos apenas uma única cor de cristal a ser alinhada em trio, ficando fácil se focar na conclusão do estágio. Mas, logo chegaremos a estágios com duas, três e até quatro cores diferentes de cristais num único tabuleiro (verde, azul, vermelha e amarela).

E aí sim temos que visualizar bem o tabuleiro, pensar a cada ação e ir tentando até concluí-los. Se achar que fez algum movimento bem errado e prejudicou a conclusão do estágio você poderá escolher resetar o tabuleiro todo e tentar novamente.

Magicolors possui 4 mundos com 16 fases em cada, cada mundo é temático, trazendo neles novas interações que também iremos utilizar para resolver os quebra-cabeças. Por exemplo no mundo do gelo iremos encontrar blocos no cenário capazes de rebater nossa magia, e utilizaremos disso para ricochetear nossas disparos a fim de acertarmos o trio de cristais da mesma cor devidamente.

Por tudo que foi dito aqui, fica claro que o jogo trabalha bem a evolução gradual da dificuldade, adicionando e ensinando aos poucos a acostumarmos com as novas habilidades que adquirimos, ou com as novas interações de cenários que cada mundo nos trará. É um jogo que em algumas fases você dará uma volta no cenário e conseguirá deduzir logo o trajeto a se fazer, mas em algumas fases realmente temos que pensar bem antes de agirmos, podendo cometer algo irreparável e ter de decidir reiniciar a fase. Caso o jogador consiga concluir um estágio usando poucos movimentos ou disparos, será recompensado na pontuação da fase, podendo ganhar 3 estrelas (pontuação máxima) pela rápida e eficiência na conclusão. O número de vezes que você anda e atira com o personagem são demonstrados, para vermos no que podemos reduzi a melhorarmos, isso serve, claro, para quem sempre busca pontuação máxima nos jogos.

Os gráficos de Magicolors são no estilo Voxel Art (uma maneira fácil de ilustrar aqui esse estilo, é o de imaginarmos cenários e personagens construídos em pequenos blocos de Lego.) Apesar de simples, é algo eficiente e agradável de se ver, os cenários trazem sempre um detalhe referente ao mundo em que estamos. É um jogo bem colorido, mas não de forma poluída, afinal temos que visualizar bem os cristais ao cenário.

A música cumpre seu papel, atua como uma “cama” nos estágios, aquele som ambiente, que existe, mas é relaxante e nunca numa altura elevada, não chamam muito a atenção, o que poderia atrapalhar num jogo assim.

Vivemos numa era que grandes produtoras não andam dando muito holofotes para a produção de games do gênero puzzle, restando as produtoras indies abraçarem e continuarem valorizando esse estilo, Magicolors é desafiador, gostoso de jogar, e recria a fórmula clássica de alguns jogos do estilo.

Com certeza um prato cheio para os fãs do gênero!

Nota final: 7/10

* Análise feita com código cedido pela distribuidora