[Review] AKANE

O ano é 2121, a Mega Tóquio está um caos, sendo completamente dominada pela temida máfia japonesa, a Yakuza, resta a Akane (e sua inseparável Katana), colocar logo um fim nisso.

O título da vez é um game do estúdio brasileiro “Ludic Studios”, e com certeza um dos melhores de seu catálogo, vamos para a análise!

Akane é um jogo 100% arcade, que se passa num único cenário, e com inimigos se repetindo ao longo da jogatina. Procuro logo detalhar isso, pois vi muita gente se “frustando” com o game, simplesmente por esperar que ele fosse um plataforma de várias fases, ou seja, esperando algo que o jogo nunca quis ser. E aliás, ignorando o tão bom ele se garante na sua proposta.

Sabendo então que Akane se prende nessa fórmula, vou aqui detalhá-la.
No jogo, hordas de inimigos da Yakuza vão aparecendo aos poucos na tela, até que você mate 100 deles, e assim o chefe Katsuro aparece. Se vencê-lo, mais 100 novos inimigos aparecem, se passar por eles, você enfrenta novamente o Katsuro numa forma evoluída, mais forte e mais perigoso, essa fórmula se repete assim por diante.

A forma com que os inimigos aparecem também será mais perigosa a cada nova horda, inicialmente aparecendo aos poucos, e depois enchendo a tela mais rapidamente conforme o avanço.

A jogatina acaba quando a protagonista for atingida, um único golpe a derruba e coloca um fim no nosso progresso. Rapidamente já podemos reiniciar tudo e começar uma nova jogatina.

Um número na parte de cima da tela vai acumulando quanto inimigos matamos nessa rodada, e sempre o seu último recorde ficará resgitrado no canto superior esquerdo, para ser batido. É a fórmula clássica de “colocar mais uma ficha e tentar novamente.”

A jogabilidade de Akane é espetacular, ela é rápida, e tudo reage preciso aos comandos, tanto que toda morte que tive jogando era visível o quanto a culpa era totalmente minha. Seja por eu não ter visto um inimigo chegando pelas costas, me descuidando da stamina ou adiantando o tempo de ataque.

A personagem ataca com uma katana, o ataque é rápido, podendo num golpe matar o máximo que conseguir de inimigos próximos, cada investida vai gastando sua barra de stamina, se essa chegar ao fim você não conseguirá atacar, precisa ficar alguns segundos até Akane recuperar o fôlego. Saber administrar suas ferramentas é um dos pontos chaves para sobreviver no jogo.

Mas os ataques da protagonista não param por aí, existe uma barra abaixo da tela que vai enchendo conforme você derrota oponentes, ela tem 3 níveis, se encher um você pode usar de um golpe em que Akane traja uma curta linha reta no cenário, os inimigos que estiverem nessa linha morrerão, ou você pode esperar e encher os 3 níveis, e assim usar o poder máximo, onde todos os inimigos que estiverem na tela serão derrotados conforme você aperta o botão de ataque.

Akane também conta com uma pistola, ideal para ataques a longa distância.

Parece complicado? Calma que o jogo traz um excelente tutorial para você aprender a controlar.

Há vários equipamentos, que podem ir de braceletes, injeções de adrenalina, botas, cigarros (que mudam a estética dos ataques especiais), novas pistolas, e até novos tipos de Katanas. Esses equipamento também trazem novos tipos de habilidades para Akane, por exemplo, algumas botas geram uma curta (mais preciosa) corrida que podemos usar de esquivas ou para ganharmos distância de uma horda.

Existem desafios que devem ser cumpridos para que os equipamentos sejam conquistados. Basta ir no menu que ficará sempre visível quais os próximos desafios para que um novo item seja liberado. São desafios do tipo “mate 100 capangas da Yakuza”, ou “Derrote 3 tanks numa única rodada”, etc.

Conseguir um novo equipamento, não quer dizer, exatamente, que você ganhou algo melhor, vai depender do quanto você se vê adaptando ao seu uso, eu mesmo consegui uma nova katana, e logo testando ela no jogo não me adaptei muito bem com o golpe especial dela. Assim voltei para a katana anterior. Tudo deve ser desbloqueado e testado, para assim, você criar a Akane ideal para você.

Caso você consiga cumprir todos os desafios, e desbloquear todos os equipamentos e itens novos, você também libera a “Cena Final” para ser vista quando quiser na tela de menu principal. Esse também é um dos grandes incentivos para você se focar em cumpri-los.

A variedade de inimigos em Akane são destacáveis:

*Garotos da Yakuza – Membros comum da máfia, correm até você e te golpeam com uma espada, são os que mais aparecem a cada nova horda. Morrem com um único golpe.

*Tank – Inimigo brutamontes que exigirá mais do que um único golpe de katana ou tiro para ser derrotado.

*Atirador de elite com aprimoramentos cibernéticos – Eles nunca erram o tiro, caso você fique parado, portanto usar a defesa com eles, se esconder atrás dos pilares no cenário ou, correr para desviar e contra-atacar, são boas tática.

*Cyber ​​Ninja – Um guerreiro que abdicou de seu corpo para se tornar uma máquina de matar. É com certeza o inimigo mais difícil, quando ele aparece produz um ataque tão rápido que um descuido poderá ser fatal, e não adianta defender, é necessário esperar ele atacar para usar uma brecha e matá-lo.

* Chefe Katsuro, como já dito, é seu inimigo principal que evolui, fica mais forte e mais perigoso de acordo com o número de vezes que ele é morto.

Apesar de ser um único cenário fixo, é preciso destacar o quanto é bem feito, abusando muito de um pixel art belíssimo. A vibe de futuro catastrófico nos é transmitida facilmente. Os detalhes das luzes de neon, dos cartazes luminosos, alguns pontos pegando fogo no cenário… um clima bem Sci-Fi por completo. Lembrando muito obras como “Ghost in The Shell”.

Graficamente o jogo é muito caprichado, tudo muito bem feito, desde os seus personagens, cenários e o próprio menu de equipamentos.

Algumas animações também chamam a atenção, é difícil você não se encantar pela animação especial da personagem quando aplicado o golpe máximo de 3 níveis. Os diálogos entre Akane e Katsuro também ganham uma diferente animação.

Falando em clima Sci-Fi, ele se mantém em parte da trilha sonora (procure ouvir faixas como “Cut You” e “Saigo Theme”), algumas flertam também em misturar com temas clássicos de orientais. As músicas realmente merecem ser destacadas aqui.

É difícil recomendar Akane para alguém desabituado a jogos assim, a chance de a pessoa se frustrar esperando algo diferente, é grande.
Mas, o conceito Arcade, do tipo “Vou tentar mais uma vez”,  “agora vou mais longe!”, “dessa vez chego nos 400”, é muito bem aplicado, e se você gosta do gênero vai se deliciar a cada nova tentativa.

Ir aperfeiçoando sua Akane, melhorar suas correntes de “hits”, enfrentar novas versões de Katsuro, é algo bem prazeroso. Se você se familiarizou com o que leu aqui do jogo, pode cair de cabeça que é um jogo perfeito pra você!

Nota Final: 8/10