[REVIEW] RUINER

Em 2017, a equipe da Reikon Games trouxe ao mundo dos jogos indies, Ruiner, um jogo de shooter de ação, e também a estreia da produtora. Publicado pela Devolver, o título é um violento conto, misturado com um gameplay igualmente brutal e viciante.

No ano de 2091 a metrópole cibernética Rengkok é dominada pela equipe de corrupção conhecida como “PARAÍSO”.

Logo descobrimos que nosso personagem, um mascarado assassino cibernético, está sendo pago por alguém para caçar exatamente o líder dessa corporação, conhecido apenas como “O CHEFÃO”.

Nosso personagem principal é um nômade, sem nome, sem sentimentos, ele tem todo um corpo modificado com um programa integrado, e recebe sempre ordens de quem domina esse sistema e o reprograma, e assim o controla. Sem voz, a sua comunicação é feita por acenos de cabeça ou mexidas de ombros, e ele reflete em seu capacete de LED, pequenas palavras de expressão.

Até que uma hacker invade seu sistema durante o percurso inicial, e descobrimos que na verdade estamos sendo explorados erradamente, pois ela tem informações de que a PARAÍSO sequestrou nosso irmão e o mantém como refém, assim eliminamos nosso antigo “dono” e passamos a seguir agora as ordens dessa hacker, conhecida apenas como “ELA”.

E assim a história de Ruiner se inicia.

De cara, o game se destaca muito pelo sua jogabilidade, um puro twin-stick shooter onde o analógicos esquerdo controla o movimento do personagem, e o direito a direção em que ele apontará/atacará. Podemos usar bastões, espadas e outras armas similares para ataques próximos, e diversas armas de disparo para ataques de longa distância.

Parece complexo, mas na primeira fase o jogo já busca ir te treinando por pequenos tutoriais e batalhas, e aos poucos você se acostuma com o esquema de Ruiner. Esse modo de controle faz com que as batalhas (que por vezes são de um ritmo bem frenético), exijam mais de nossa atenção.

No título, a progressão das fases são feitas por salas, entramos em uma, a sala se trava e devemos derrotar todos os inimigos nela (num formato de arena), para liberar uma nova passagem.

Imagine agora a seguinte situação: Três inimigos aparecem na tela, dois na frente e um atrás, se você estiver mirando nos da frente e perceber que está recebendo tiros por trás, teriamos que, literalmente, virar a posição de nosso personagem em 180°, com o analógico direito, e assim conseguir atacá-lo. E nesse tempo você já poderá ter sido eliminado.

É nessa hora que entra o uso de habilidades especiais, em Ruiner contamos com uma quantidade considerável que podem ser equipadas, ao serem liberadas e melhoradas conforme formos ganhando pontos ao avançar no jogo.

Entre essas habilidades encontramos uma corrida (ótima para esquivas), criações de escudo de energia pelo cenário, escudos gerados pelo braço do personagem, atordoamento de inimigos, fortalecer armas, aumento ou recuperação de HP. Etc.

Ou seja, no exemplo dado acima, uma das soluções para eu matar o meu oponente, que está nas minhas costas, é usar de rápidas esquivas até ficar numa boa posição e contra atacar.

Os pontos de habilidades que podemos distribuir para destravar ou melhorar essas habilidades, são removíveis, ou seja, você pode, sempre que quiser, retirar pontos de uma habilidade e adicionar para melhorar uma outra. Isso ajuda muito, às vezes num combate que te exige mais proximidade corpo-a-corpo, você pode deixar as habilidades fortalecendo e ajudando esse tipo de combate, e numa batalha de mais distância, você pode refazer tudo.

Conhecer e testar as várias opções é um jeito de se dar bem em Ruiner. Assim como ir testando as várias armas no caminho, são bem diversas, e saber do potencial de alcance e dano delas também irá te ajudar.

Durante o combate temos que tomar o cuidado de não zerar as barras de vida e de habilidades rapidamente. Principalmente a de HP, que dará a sua morte. O bom é que podemos recuperar essas barras conforme finalizamos inimigos com o ataque especial de finalização. (apertando o analógico esquerdo próximo ao inimigo).

Ruiner não é um jogo fácil, é extremamente desafiador em alguns pontos, algumas salas me fizeram penar bastante, você pode estar concluindo e aparecer um oponente com uma arma insana e acabar com você. Em salas assim é somente a prática que vai fazer você se aperfeiçoar até vencer. Cada sala concluída te dá um ranking de classificação, que vão de Ranking E (ruim), para Ranking S+ (perfeito).

O game possui 3 níveis de dificuldades, Fácil, Normal e Difícil.

Eu conclui o jogo na dificuldade Normal em um pouco mais de 6h de jogatina. Vale lembrar que caso fique muito em apuros, o jogo deixa você alterar a dificuldade a qualquer momento.

A diversidade de inimgos não é tanta, se dividindo entre cyborgs e assassinos de gangue, mas como existem várias armas, eles sempre podem renovar de um padrão anterior. Agora, na questão de inimigos, o destaque certamente fica para os chefes das fases. Sempre muito bem elaborados, cada um com um padrão que vai te pegar de surpresa. Chegar nessas batalhas é sempre um ponto alto aqui.

Graficamente, Ruiner é bem interessante, todo seu aspecto futurista cyberpunk se mantém por todo o jogo, chefes robóticos e batalhas com máquinas colaboram com a imagem nebulosa desse futuro. O game tem sempre um tom forte puxado para o vermelho, todos os diálogos que aparecem no jogo (há tradução em português) estão em vermelho. Isso pode se tornar cansativo a longo prazo, mas eu compreendo que essa é uma das identidades dadas ao título.

Há algumas boas cutscenes que hora ou outra aparecem na aventura, e contribuem para nos desenhar a história. Que apesar de simples, tem espaço para boas reviravoltas. Outro ponto excelente é a cidade, que serve de intercalação a idas das fases, com um visual bem detalhado dá para ver por cada canto o tom de futuro devastador de Ruiner. O som se passa sempre por um techno futurista, boas músicas, o charme se mantém também nos efeitos sonoros. São bem legais, principalmente quando o capacete de nosso personagem soa uma expressão, que é reproduzida pra gente.

Por fim, existem ainda os modos “Velocidade Total”, similar a fórmula speedrun de se jogar um game, e “Modo Arena”, com intensa batalhas de ordas de inimigos.

VEREDITO

Ruiner foi um grande sucesso quando apareceu na steam em 2017, e agora chegou para o Nintendo Switch em 2020, versão essa que foi analisada aqui.

É um jogo desafiador, brutal, e que sabe passar o sentimento recompensador ao vencermos uma sala, passarmos de um chefe, ou concluirmos uma fase. E tudo isso porque, apesar da dificuldade, o game é justo. Por esses motivos acaba incentivando o jogador a continuar sua jogatina até o fim e virar uma bolha viciante.

Ruiner é um grande jogo, recomendado a todos que procuram por um desafio caprichado.

*análise feita com código cedido pela distribuidora