[REVIEW] Shantae and the Seven Sirens

É difícil não simpatizar com Shantae. Desde seu primeiro game em 2002 para o saudoso Game Boy Color, a série vem trazendo muitas aventuras, personagens carismáticos, histórias divertidas, muita exploração, e piadas internas sagazes. A mais recente empreitada chama-se Shantae and the Seven Sirens, e deu às caras nos consoles da atual geração assim como nos PCs. Todo o charme está aqui, mas será que a fórmula se mantém em dia?

Desenvolvido pelo competente time da WayForward, os títulos da franquia normalmente ficam no gênero conhecido no ocidente como “Metroidvania” e no Japão como “Search Action Games”. Mesmo eu preferindo a segunda nomenclatura, vou manter a primeira como base nesta análise. No geral, somos direcionados a um mapa interligado, onde novas habilidades abrem novos caminhos. Enfrentamos chefes e coletamos upgrades. Obviamente, a exploração e boa memória são essenciais em jogos desse estilo.

A história coloca a heroína, uma meio-gênio/meio-humana, em uma viagem de férias como convidada de uma ilha considerada mágica. Lá ela conhece outras gênios, cada uma com sua personalidade e poderes, mas após um ataque surpresa, as novas amigas são raptadas. Cabe a Shantae o resgate e a descoberta sobre o mágico lugar.

Confesso que gosto das histórias bobinhas da série, elas passam uma vibe de desenho animado bem escrito, tudo muito inocente, mas cheio de reviravoltas e piadas engraçadinhas. Em Shantae and the Seven Sirens, a premissa continua a mesma. Grande parte dos diálogos são dublados (em inglês), oferecendo uma sensação bacaninha de domingo de manhã. Somando a isso há os lindos gráficos que pouco mudaram do game anterior (Half-Genie Hero) para esse, mas que ainda fazem jus à qualidade da WayForward. Por último, talvez a grande adição neste jogo, há cutscenes animadas apaixonantes. Uma mais legal do que a outra, me fazendo pedir ainda mais por uma série de desenhos de Shantae.

Em se tratando de jogabilidade, neste quesito quase não há novidades. Fora a comumente atualização de habilidades e transformações baseadas nas danças da protagonista, o resto funciona exatamente igual à títulos anteriores. É verdade que tudo rola muito bem, talvez pensando na ideia de que “time que está ganhando não se mexe”, mas após tantos games, talvez a fórmula esteja começando a sentir um desgaste. Além disso, e aqui vai a minha principal crítica ao jogo, as novas habilidades acabam transformando Shantae and the Seven Sirens como o mais fácil de toda a série. Enfrentar os chefes distintos e divertidos acaba tendo quase a mesma dificuldade de derrotar um inimigo comum que caminha pelo cenário.

Há bastante coisa para se fazer que vai desde colecionar todas as cartas de inimigos a realizar os mais insanos speedruns. Qualquer fã de Shantae vai se sentir em casa, porém alcançar os 100% nem de longe é uma tarefa árdua. Realmente senti falta de comemorar uma vitória contra um chefe ou realizar um pulo complicado. Tudo está muito mastigado, fazendo com que a verdadeira diversão da jogatina seja o de explorar e acompanhar a história.

É claro que não posso deixar de mencionar a excelente trilha sonora composta pelo time de Kentaro Sakamoto, Mark Sparling, Madeline Lim e Gavin Allen. Cada faixa, desde a abertura aos créditos, é digna de ouvir em seu dispositivo móvel. Há batidas vibrantes, misturas de música havaiana com eletrônica. Todos os gostos são bem vistos em cada faixa da jogatina. Após pouco mais de seis horas de jogo, me senti bem satisfeito em todos os quesitos, mas ainda assim queria mais.

Veredito

Shantae and the Seven Sirens é, provavelmente, o game mais completo da série. Tudo funciona muito bem, a jogabilidade é redonda, a história é interessante, a apresentação bacaninha e a exploração funciona muito bem. A baixa dificuldade pode incomodar quem for mais velhaco na série, mas nada que estrague totalmente a experiência. No fim das contas, é uma ótima jogatina para quem está afim de um competente metroidvania do começo ao fim.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora

https://youtu.be/1E4lWGrhsjE