[REVIEW] Elden: Path of the Forgotten

Um ambiente tenso e trilha sonora fantasmagórica são os elementos que acompanham a vida de um rapaz que está tentando salvar sua mãe vítima de um ritual satânico que deu errado. E, com acertos e erros, Elden tenta e, às vezes, consegue.

Boas vindas à escuridão

Com uma câmera fixa isométrica e uma movimentação centrada na ação, Elden: Path of the Forgotten é um jogo indie feito por uma equipe impressionantemente pequena que chegou às plataformas digitais prometendo uma mistura de Hyper Light Drifter, em seus elementos de movimentação e batalha e, Dark Souls, na utilização de estamina e checkpoints de jogo.

Em uma série de mundos sombrios, tudo é acompanhando por uma assustadora música que segue o jogador de mapa em mapa – sem saber muito para onde ir ou o que fazer. Não há texto no jogo, ao menos não legível, e a ideia é de se estar em um pesadelo sem fim, buscando incessantemente por um caminho ou solução para um problema que, talvez, nem se conheça ainda.

A beleza e vitalidade da experiência se encontram na baixa, porém divertida variedade de armas e poucas magias que podemos escolher – quando forem liberadas. É maneiro como o jogo se propõe a não segurar a mão do player por motivo algum, e força quem está por trás do controle caminhar à tentativa e ao erro, até conseguir se dar bem.

Quase sempre chato, de vez em quando aleatório

Elden tem, infelizmente, uma cadência quase sempre chata. É tudo meio formulaico: você entra numa região, mata uma quantidade de inimigos repetidos, busca a chave, entra na área que você não conseguia ter acesso, luta contra o chefe e vai para o próximo mapa. E faz isso. De novo e de novo.

Esse tipo de fórmula não é exclusivo de Elden – muito menos necessariamente negativo. O problema é a repetição de monstros e os vastos e amplos ambientes sem absolutamente nada, em que você precisa caminhar sem ter muita direção até encontrar o que você precisa e poder se preparar para o chefe. Ter um mapa grande sem quase nada pra fazer é sinal de um design de jogo ruim.

E não é só caminhar por aí que é chato: os ambientes são vazios, os segredos são sempre os mesmos, os monstros são simples e com pouca variedade… E, o pior, é um elemento aleatório que atua como um fantasma por toda a experiência.

Elden: Path of the Forgotten não é, especialmente, difícil. É, inclusive, relativamente fácil – não pelos poderes que o protagonista tem (você tem poucos recursos no seu arsenal, inclusive), mas pelos padrões lentos e repetitivos dos monstros simples que aparecem por aí. A forma em que a desenvolvedora Onerat escolheu criar dificuldade no jogo foi com alguns elementos randômicos brutalmente frustrantes.

A partir do segundo mapa (e no chefe do primeiro mapa) eventualmente algumas “bolinhas” são arremessadas em direção ao protagonista que, se estiver desavisado, ficará congelado por alguns instantes. Logo, aqueles inimigos fáceis de se lutar contra, que não oferecem muito medo, se tornam malditos: é comum morrer porque você não notou a bolinha vindo. O problema não é morrer pela dificuldade ou complexidade dos monstros ou inimigos – mas sim morrer pra uma esfera que você não viu vindo porque foi mal indicada e posicionada. É falso.

A artificialidade da dificuldade proposta pelo game tira, em muito, o mérito de um sistema de batalha divertido. É legal bater nos monstros e usar a própria espada e as magias, é legal tomar cuidado com a sua estamina e planejar suas ações, mas o design dos inimigos é fraco e repetitivo e tudo piora com uma sensação randômica que persegue o jogo e pune o jogador por algo que ele não fez de errado.

Tenho que ser honesto: as lutas contra os chefes foram os momentos altos da experiência. De suar as mãos, o design dos chefes são inspiradores e divertidos e todos eles contam com mecânicas únicas, mesmo tendo poucos na jogatina. Sem dúvidas Elden: Path of the Forgotten seria melhor como um boss rush do que como um jogo de exploração.

A versão que eu joguei, para a Steam, estava, sim, repleta de bugs e inconsistências, principalmente visuais, mas sempre se “auto resolviam” e nunca atrapalhavam de fato o jogo, com exceção de uma vez em que o jogo travou totalmente logo depois de iniciar. Não fica a sensação de que o desenvolvimento foi corrido.

Veredito

Elden: Path of the Forgotten é um jogo de ação em que, ao mesmo tempo que te ambienta bem, com um visual e trilha sonora impecável, somados a um sistema de batalha raso mas responsivo, mergulha o jogador em uma exploração vazia, monstros repetitivos e mecânicas aleatórias frustrantes.

Morrer em um jogo deveria ser um incentivo para melhorar e querer tentar vencer os desafios. Em Elden, porém, o maior desafio é querer chegar nas partes boas do jogo, os chefes, mas o caminho pra eles é infelizmente abaixo da média.

Se o jogo fosse só uma sequencia de diversos chefes juntos as mecânicas satisfatórias de batalha do game, talvez Elden conseguisse um espaço maior no meu coração. Infelizmente, a exploração chata e a artificialidade dos desafios me deixam com um gosto amargo na boca. Há, sim, escondido, um bom jogo, mas tem que procurar demais. É uma experiência de nicho e, pra quem está procurando algo de novo neste gênero, pode ser uma boa. Pra todo resto: melhor esperar o próximo game do estúdio.

Elden: Path of the Forgotten está disponível para a Steam, plataforma desta resenha, por R$ 31 e para o Nintendo Switch por 16 Dólares na loja americana. Não está disponível na loja brasileira.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora