[REVIEW] CrossCode

Com a proposta de fazer um game de Action-RPG em 2015, a Radical Fish Games entrou com uma campanha no Indiegogo para financiar seu projeto, CrossCode, um game que aliava RPG com diversos puzzles desafiadores tinha a promessa de sair em 2016 (e com uma versão para Wii U). O título chegou para PC em setembro de 2018 e em julho de 2020 para os consoles com versões para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

O jogo tem inspiração clara nos títulos dos anos 90, pegando ideias de alguns nomes consagrados, porém fazendo um estilo único. Apesar do jeito retrô, o game possui belos cenários e animações. Aqui temos montanhas de gelo, um deserto com varias raças e com oásis, florestas tropicais, lagos e diversos cenários diferentes que além de bonitos servem de propósito para a aventura. Cada área tem uma vegetação diferente que dá itens para o jogador. O legal desta mecânica é que em cada local existem diferentes tipos de vegetação que dão de 2 a 3 itens cada, com uma porcentagem para conseguir, e quão mais difícil é chegar à vegetação, maiores são as chances para conseguir os melhores itens.

Parece complexo, mas à medida que avançamos em CrossCode entendemos o seu funcionamento. Além dos itens conseguidos na vegetação, cada inimigo também pode deixar um. Mas você deve estar se perguntando: O que fazemos com estes itens? O jogo possui um esquema de trocas bastante interessante. Por exemplo, cada cidade possui lojas para comprar equipamentos mas também possui os “trocadores”, estes mercadores trocam os itens adquiridos via inimigos, vegetação e também em missões, em armas, equipamentos, etc.

Este esquema único é muito interessante porque permite possuir armas exclusivas. Para se conseguir a arma Giga Spiral Drill, por exemplo, precisamos de um item que conseguimos somente por troca, a Spiral Gem, porém conseguimos apenas uma no jogo todo porque para conseguir esta gema precisamos de outro item que só se consegue através de derrotar um chefe em uma missão. Ou seja, para conseguirmos um equipamento melhor precisamos fazer missões opcionais que vão desde coletar determinados itens a proteger pessoas ou ainda arrumar maquinas.

Mas falando um pouco sobre a história do game, aqui controlamos Lea que aparentemente está com perca de memória e está jogando “Crossworlds”, um RPG MMO. Lea tem problema em seu módulo de fala então ela tem dificuldades para se comunicar, porém Sergey, um programador responsável por Lea, trabalha para recuperar sua memória e também adicionar algumas falas em seu repertório. A primeira vista parece ser uma história simples, mas a medida que jogamos vamos nos aprofundando e vendo porque Lea está aqui. O principio de CrossCode me lembrou bem aquele anime Sword Art Online. Apesar de controlarmos apenas Lea, podemos formar uma equipe de até 3 jogadores (contando com a personagem principal), e a forma que chamamos os jogadores para entrar na equipe é por um dispositivo do jogo chamado D-Link (como se fosse um celular do game).

O curioso é que o game é dividido em dungeons instanciadas, ou seja, nas fases você deverá jogar sozinho sem ajuda da sua equipe. O legal aqui é que os personagens fazem uma espécie de competição para ver quem termina primeiro. E assim vemos todo seu potencial, cada fase interage com um elemento que ganhamos (fogo, gelo, onda e raio) e temos diversos puzzles para resolver até conseguir ganhar o elemento. Mas não se engane que as coisas serão fáceis depois de conseguir o elemento da fase. Os puzzles são muito bem pensados, funcionam bem com o esquema de ataque a distancia de Lea. Algumas salas precisam que o jogador pense o que ele deve fazer para atravessar, porém em outras alguns enigmas demandam tempo, o que pode frustrar alguns jogadores. Pensando nisso, os desenvolvedores deram uma colher de chá para os jogadores, ele permite mudar nas opções o dano recebido, a frequência de ataque dos inimigos e a velocidade dos Puzzles.

Apesar de todos os enigmas nas fases, o verdadeiro desafio são os chefes do jogo, com mecânicas únicas, seu equipamento deve ser pensado para não ter dificuldades. Cada batalha é carregadas de desafio, o que desperta mais a vontade de continuar e ver qual é o próximo que encontraremos.

O que mais gostei de CrossCode é seu esquema de evolução e melhoramento. Como dito, os equipamentos são diferentes e trazem diversos benefícios. Além disto, temos o conceito de circuitos. Há uma árvore de habilidades para cada elemento e também para o circuito padrão. Aqui podemos personalizar nosso personagem, escolhendo suas habilidades aprendidas e benefícios. É bem interessante de ver que de acordo com o elemento que estamos utilizando no momento, os atributos do personagem podem mudar justamente por causa da árvore de circuitos.

CrossCode é um game bastante completo. Com sua história principal dividida em 10 capítulos, podemos jogar as quests opcionais para conseguir experiência e novos equipamentos e itens. As versões de console trouxeram uma novidade chamada “Area Boosters” que permite que os inimigos das áreas do game fiquem extremamente mais fortes a troco de poderem dropar itens mais raros para as trocas.

Jogando o game, por mais o que mesmo nos permita a jogar apenas a campanha principal, naturalmente iremos querer fazer as missões secundárias. Elas servem além de melhorar seu personagem ainda mais, também como uma forma de se inteirar mais com o mundo que jogamos.

Veredito

O game da Radical Fish Games é uma grata surpresa, um RPG gostoso de jogar e cheio de desafios que vale a pena. Com uma trilha sonora fantástica, belos gráficos e muito conteúdo extra é diversão garantida.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora