[REVIEW] Carrion

Carrion é um jogo de terror ao contrário, pois o herói do game na verdade é a vilã, trata-se de uma massa biológica vermelha disforme com dentes e olhos espalhados pelo corpo, e o seu objetivo é escapar do que parece ser um grande complexo laboratorial. O jogo foi desenvolvido pelo Phobia Game Studio e publicado pelo Devolver Digital.

A princípio, o jogador vai assimilando como é a movimentação da maçaroca escarlate, seus ataques e defesas, um pouco de sua história é apresentada de maneira fragmentada, podendo ser interpretada de diversas maneiras. Apesar de sua gelatina ser grande e poderosa, um pequeno homem armado pode acabar matando sua monstruosidade acerejada, pois sua caixa de impacto é enorme. O ser biológico pode tomar até cinco pontos de dano. Para recuperar a energia, um dos meios é devorar homenzinhos, mas nem todos são passíveis de serem degustados.

Em Carrion temos um bom design de níveis, pois as áreas a serem exploradas são vastas, repletas de entradas e possibilidades de exploração, onde o jogador acaba intuitivamente pressupondo qual a melhor rota e estratégia para a resolução de quebra-cabeças ou como atacar os inimigos sem tomar muitos danos.

O jogador irá notar que algumas passagens são impossíveis de serem penetradas pelo ser gosmento com tentáculos, ao longo do jogo, o ranho rubro irá receber aprimoramentos, aumentando o acervo de poderes e também de tamanho, ficando absurdamente mais feio, algumas vezes atrapalhando o seu controle, adiante digo onde tive problemas.

A jogabilidade é bastante tranquila, pois basicamente tudo o que o gamer precisa saber está no HUD, alguns puzzles irão dar um pouco de trabalho, mas o mais complicado no jogo é saber para onde ir, pois como não há mapa, é preciso explorar bastante as regiões e lembrar onde ficam as áreas não exploradas. Em passagens chaves, como se fossem warp zones, há um letreiro luminoso que avisa o que foi deixado para trás.

Algumas vezes, o jogador pode assumir o controle de um humano, ao contrário da diarreia com dentes que é bastante prazerosa de controlar, não senti peso ao controlar um bonequinho, há mais consistência neles como alimento do que como personagens controláveis.

Quando a amoeba maligna fica enorme, tive problemas com elevadores, pois apesar de desejar a destruição da humanidade, alguma civilidade foi preservada, ao deixar alguma ponta entre uma parede e a parte inferior de algum elevador, o slime carmim simplesmente ficava preso, que grau de realismo não? A única maneira de sair dessa enrascada era aplicar algum golpe e com sorte o bicho poderia se movimentar livremente.

A trilha sonora é bastante sombria, casando perfeitamente com o jogo, dando um toque a mais de terror proposto em Carrion. Os efeitos sonoros e dublagens ficaram muito bons, os gritos de horror, a carne sendo rasgada, devorada, ossos partidos e a movimentação pegajosa e grudenta de seu suco de beterraba ambulante.

Os gráficos são todos em arte pixelada, eles são detalhados e bem animados, vendo os cenários, lembrei em alguns momentos do clássico Flashback com uma catota acarminada no lugar de Conrad. Em algumas áreas há muitos elementos que podem ser destruídos pelo cocô carmin: lâmpadas, computadores, caixas etc. Como a destruição é divertida e aprazível.

As conquistas são fáceis de obter, uma boa sugestão para os caçadores de conquistas. Joguei a versão para PC disponível no Game Pass e levei menos de dez horas para termina-lo por completo. Além do serviço Game Pass (PC e Xbox One), Carrion também está disponível no PC via Steam e GOG.com, e para Nintendo Switch. O game foi localizado para diversos idiomas inclusive para o nosso.

Veredito

Carrion é um jogo de terror que remete aos filmes A Coisa (The Stuff, 1985) e O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1983), eu achei bastante divertido e relaxante, tive prazer de jogar, lembrando até um game casual devido a sua leveza e descompromissada iniciativa.