[REVIEW] Hellpoint

Hellpoint é um jogo do gênero Souls-like desenvolvido pelo estúdio canadense Cradle Games e distribuído pela tinyBuild. O game começou a ser desenvolvido em 2015, passou por uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo no Kickstarter e foi lançado este ano.

A história do título se passa em uma estação orbital chamada Irid Novo, você é uma criação concebida por um misterioso ser chamado Autor, seu objetivo é investigar o que aconteceu à Irid Novo, outrora um baluarte da humanidade, agora tomado por seres demoníacos lovecraftianos e deuses cósmicos. Por onde se anda há apenas morte e destruição, poucos são os sobreviventes, o que aconteceu a esse lindo lugar? Há alguma ligação com o misterioso buraco negro visível a olho nu? Quais as reais intenções do Autor?

Os cenários de Irid Novo são simplesmente espetaculares, inúmeras foram as vezes que fiquei parado apenas contemplando os prédios e o espaço, as construções futuristas remetem a diversas obras da ficção científica e do terror adaptadas para a tela do cinema, algo como Equilibrium (2000) encontrando Hellraiser – Renascido do Inferno (Hellraiser, 1987).

O jogo começa com seu personagem sendo criado. A criação está fraca demais, pois morre facilmente para qualquer inimigo, a pouca variedade de armas no início prejudica bastante qualquer progresso. A partir daí se coleta as denominadas partículas áxions, elas são essenciais para fazer todas as melhorias da criação, de suas muitas habilidades a confecção de armas e armaduras.

Morrer é a coisa mais normal nesse game e toda vez que se morre, o número de áxions zera, mas é possível recuperá-las, entretanto não apenas todos os inimigos voltam, exceto os chefes, há também um doppelgänger, chamado de fantasma, que fará de tudo para impedi-lo, se você morrer para sua cópia esverdeada, perde-se todos os áxions acumulados antes de seu falecimento. Caso você morra sem áxions, o fantasma não aparece.

Conforme vai se jogando Hellpoint, há momentos em que a dificuldade aumenta bastante. No canto superior esquerdo da tela há um relógio, quando os ponteiros se alinham, os inimigos acabam ficando mais poderosos, surgem outras criaturas e dependendo do setor, há também hordas a serem combatidas. O numeral na parte inferior do relógio simboliza a dificuldade da partida, a normal é 1, mas ela pode ser aumentada (polarizar) ou reduzida (recesso) quando se encontra as Fendas.

Através das Fendas é possível salvar o game, recuperar sua energia, aumentar as habilidades do personagem, poder viajar para outras localidades, estas ao custo de um item raro de se obter, então cuidado para não gastar à toa, entre outras opções. Além da Fenda, há maquinas que melhoram e criam armas, curam seu personagem de algum dano físico, enfim, elas são encontradas para auxiliar sua jornada.

Para ajudar a criação, o título disponibiliza de um artefato chamado omnicubo, que possui muitas funções: lanterna, cura, tocar música, entre outras, porém para usar seus recursos é preciso encontra-los durante o jogo.

Um dos grandes atrativos no jogo é a história, ela é toda fragmentada, são pequenos relatos que encontramos em registros espalhados pelo cenário, tais como pichações, livros, entalhes etc. Para quem não tem domínio do idioma inglês, o game foi localizado para nosso idioma.

A partir de certo ponto, Hellpoint não segue uma linearidade, podendo o jogador optar por qual caminho seguir, entretanto é necessário ir e voltar por locais onde já se passou, por conta de uma passagem bloqueada, de um enigma não resolvido ou item que ficou para trás. A ausência de um mapa exigirá uma atenção maior, pois é fácil se perder na estação orbital.

Há uma boa variedade de inimigos, alguns bem criativos, até mesmo os mais comuns, com visual e comportamento bem interessantes. São bem animados e com uma boa quantidade de ataques, para não judiar demais do jogador, todos possuem algum padrão, porém os seus comportamentos são influenciados pelo alinhamento dos ponteiros do relógio.

Não é apenas o desafio dos inimigos de Hellpoint que vai exigir paciência, há algumas dificuldades em relação a jogabilidade, a primeira é em relação ao pulo da criação, em certas situações é um tormento, quando se há plataformas muito estreitas, o pulo deve ser bem calculado, é muito comum tomar um impulso a mais e acabar pulando mais do que se devia e acabar caindo em algum abismo.

Alguns cenários são bastante escuros e por conta do jogador se esquecer de olhar o chão, é normal cair, muitas vezes em abismos. Então atenção redobrada por onde se pisa em regiões não exploradas.

A câmera em alguns momentos é bastante prejudicada em cenários mais fechados, uma luta contra um chefe em uma arena mais apertada, por exemplo, pois ao travar a mira no seu inimigo, a visão pode ser prejudicada por conta da demasiada aproximação da câmera, muitas vezes isso é fatal.

Há dois problemas mais graves em Hellpoint a serem ressaltados, o primeiro é o modo online, nos primeiros dias o serviço estava indisponível, apareceu habilitado depois de uma atualização, entretanto em todas as vezes que tentei acessá-lo, uma mensagem dizia que o servidor estava cheio ou a conexão com outro jogador caía, assim impossibilitou a minha experiência para registrar aqui nesta crítica.

Para não dizer que nenhuma funcionalidade do modo online funcionou, das três opções disponibilizadas no jogo: uma para ajudar, outra para pvp (player versus player) e mensagem, apenas os recados, que ficam temporariamente no jogo, consegui ter alguma interação, ao lê-las é possível dar uma curtida.

O segundo problema são bugs relacionados à caixa de colisão de seu personagem, não é incomum ficar preso a alguma parede quando a criação anda grudado a uma, algumas vezes ao tentar acessar alguma parte inusitada do cenário, o seu personagem fica travado.

Veredito

Hellpoint é um game cativante com uma história intrigante, quanto mais se joga, mais interessante vai ficando, há vários finais que podem ser feitos, o que aumenta o fator replay. O título é um Souls-like indicado não somente para os fãs do gênero, mas para quem quer encarar um bom desafio.

O game está disponível para PC, Mac OS X e Steam OS + Linux via Steam, PlayStation 4 e Xbox One, a versão de Nintendo Switch foi adiada.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora