[REVIEW] The Eternal Castle: Remastered

Em um futuro catastrófico, humanos passam a dominar outros planetas além da Terra, mas após tantas buscas por novos ambientes, uma das unidades se perde pelo espaço. Nela estava uma mulher, responsável por comandar as colonizações nos novos planetas.

Partimos, então, em sua busca, mas quis o destino que um problema surgisse na nave que estamos pilotando, derrubando-nos completamente, e agora partimos em busca de perguntas e respostas de onde estamos, enquanto saboreamos uma grande jornada.

Ainda apagados pelo tombo, despertamos, como um sonho real, e assim escolhemos quem vamos ser nessa busca, Adão ou Eva. Nem é necessário destacar que os nomes do personagens nos remetem a essa busca pelo inicio de tudo, desse mundo de onde estamos…

E não se preocupem, a história do jogo mantém esse ar bizarro, do inicio ao fim, ao longo da nossa jornada coletamos novos fragmentos, ou ouvimos fatos de vários personagens, que nos ajudam a entendê-la um pouco mais.

O gameplay do jogo já se mostrará tão impactante aqui, que sinceramente o melhor a fazer é seguirmos em frente, sem esquentar a cabeça. O game ainda inclui um modo coop, para dois jogadores se divertirem nesse sonho, nessa jornada.

Elaborado por 3 pessoas, Leonardo Menchiari (a mente por trás do projeto), Daniele Vicinanzo e Giulio Perrone. A TFL Studios publicou a versão de Switch, essa a qual analisamos aqui.

UM CHARME DE VISUAL

The Eternal Castle a primeira vista irá te chamar atenção pelo seu visual, nos levando aos jogos de meados dos anos 80, aquele mais puro CGA de 2bits. E sim, de início é difícil não estranharmos toda aquela coloração simplista do jogo, parecendo para os dias de hoje tudo muito “tosco”. Afinal, em tempos de games cada vez mais realistas, este vai na contramão total, porém, queira ou não, isso prioriza sim ar de originalidade visual.

Em The Eternal Castle é necessário resgatarmos o conceito de se jogar games antigamente, onde parte do nosso cérebro contribuía para completar os poucos pixels na tela, dando vida a nossa imaginação, para absorvermos o que nos é mostrado. Nada fica visualmente claro no jogo, algumas telas se misturam tanto aos detalhes que causa uma ligeira confusão visual, personagens e grande parte do ambiente se destacam sempre na cor preta, leva um tempinho, mas logo fica mais claro de compreendermos o conceito visual empregado. Talvez os jogadores mais novos sofram uma maior reclusão ao experimentá-lo.

E olha, preciso confessar, ao jogar os primeiros minutos, fui fisgado completamente pela arte do jogo, demorei sim a absorver, mas que coisa fantástica! As movimentações dos personagens, dos itens ao cenário, tudo acaba tendo uma movimentação bem fluída aos nossos olhos. Ao entrarmos numa casa, percebemos o quanto ela realmente se parece com o interior de uma casa de verdade, destacando-se por contornos, e algumas poucas cores vibrantes ao fundo. Se a intenção de The Eternal Castle era fisgar o jogador pela arte gráfica, ele funcionou perfeitamente comigo. Em certos momentos nos deparamos com explosões de cores na tela que, deixa claro, o quanto os produtores souberam embelezar com tão pouco. Um visual, que de início parece simples, mas descobrimos o seu encanto.

Um charme único, uma atmosfera única.

SEMELHANÇAS COM O PASSADO

A jogabilidade de The Eternal Castle, logo nos remete a clássicos como “Prince of Persia”, “Flashback” e “Out Of This World”, lembra até mesmo uma mistura bem feita de todos eles (até mesmo no fato de ter uma história bizarra por trás). Aqui a jogabilidade funciona de modo similar a esses jogos, nosso personagem corre, pula, salta a distância, pega armas no chão, atira, rola, interage com alguns itens ao cenário. Os primeiros minutos do jogo se dedicam a um curto tutorial, quem não tiver familiaridade com o estilo, não irá se assustar.

A jogabilidade é tranquila de se dominar, gostoso de jogar, a aparição de inimigos na tela contribui para usarmos e abusarmos dos nossos movimentos pelo cenário, seja desviando, escalando, ou simplesmente pegando armas ao chão (visíveis por um retoque em branco) e atirando. São diversas armas, cada uma com seu tiro limitado, derrotando inimigos você pode obter munições ou conseguir armas novas, o jogo ainda dá espaço para armas como espada e tacos.

Ainda sobre inimigos, os destaques ficam para os chefões, responsáveis por defenderem no jogo partes da nossa nave, devemos derrotá-los (sempre com estratégias diferentes e marcantes) e seguir em frente. Alguns chefes possuem os melhores jogos de cores de toda a aventura, visual realmente encantador de vermos.

Existe uma barra de stamina que irá controlar o nosso gasto com movimentos do personagem, há também uma barra de energia, se ela acabar, morreremos, para recuperar achamos itens ou meditamos em pedras (que servem de checkpoint também).   

Assim como os jogos de exemplos que foram citados, The Eternal Castle também traz puzzles a serem resolvidos, nada absolutamente longo ou cansativo, quando aparecem é tudo bem breve, ajudando a quebrar uma monotonia que poderíamos sofrer.

O som, completamente minimalista, colabora para criar toda essa atmosfera do jogo, se um local carrega nele o sentimento de ser perigoso, você pressentirá isso.

E COMO É ESSE REMASTER?

Ao jogarmos The Eternal Castle, iremos nos deparar com o subtítulo de “REMASTER” estampado em seu nome. A tela de menu do jogo destaca uma data de 1987. Ou seja, eu estava perplexo de conseguir jogar uma obra antecessoras até mesmo a Prince of Persia (que só seria lançado dois anos depois). Meu irmão acompanhou eu jogando e falava:                    

“-Caramba então foi daí que veio o conceito para criar Prince of Persia dos PCs? Que incrível!”

E eu, óbvio, afirmava que sim!

Mas, uma coisa me fisgava, o jogo tinha essa importância gigantesca, e porque raios eu nunca havia ouvido falar sobre The Eternal Castle? Ao terminar, fui pesquisar sobre sua criação, e tive a maior surpresa de todo o meu 2020 até agora… o jogo nunca existiu! Exatamente, The Eternal Castle: Remastered, é um remake de algo que nunca existiu antes.

Eu fui completamente enganado, e era bem isso que Leonard Menchiari queria fazer com esse jogo. Menchiari deixava claro que tudo o que vimos era uma mentira, incluindo o fato de que a criação do jogo foi feita por ele para resgatar The Eternal Castle de uma lembrança do que já havia uma vez jogado em meio dos anos 80 em seu PC da época, e assim recuperando toda sua memória com o jogo, dando-lhe vida 32 anos depois. Apesar de tudo isso, sou obrigado a concordar que como marketing, isso é absurdamente genial, tanto que o titulo de REMASTER deve ter lhe fisgado a abrir e procurar ler essa análise, ou até mesmo ao ler essas linhas você agora queira testar o jogo, se alguém falar de jogos desse estilo numa roda de amigos, já irei abrir minha boca e fazer propaganda dele.

Leonard Menchiari foi muito cuidadoso, demostrando até mesmo quando ligamos o jogo uma tela de bugs similares aos dos jogos da época, mas, se pararmos pra pensar, ele deixou algumas brechas para nos pegar, realmente um jogo possuir tutoriais iniciais ou coop para dois players não é algo comum dos jogos daquela época, né. Pois é… Leonard Menchiari e seus truques.

Não existem palavras para colocar aqui que traduziriam o quão intenso e incrível foi ter jogado, ter me encantado com The Eternal Castle: Remastered, um excelente precurssor de grandes jogos, um precurssor que nunca existiu, é verdade, mas que sim que se inspirou nesses clássicos, pois é.

VEREDITO

The Eternal Castle é um game incrível, do inicio ao fim, me manteve preso em toda sua jornada, que aliás, não é longa, terminei o game com umas duas horas e meia de jogatina. Toda sua estrutura contribui até para os players de hoje buscarem fazer speedruns com o jogo.

É um jogo bem marcante, desde a sua própria criação maluca, até o desfecho do game.

O melhor remake de um jogo que nunca existiu.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora