[REVIEW] Blightbound – Acesso Antecipado

Com uma mistura de gêneros e influências, Blighbtound inaugurou seu acesso antecipado em uma inesperada e empolgante mistura de beat’em up com loot-game para até três jogadores, e pode ser uma incrível experiência para quem estiver disposto à encarar o desenvolvimento do jogo.

Essa review foi feita entre as versões 0.2.1 e 0.3.1 do Early Access e não contemplam as novidades e bug fixes das versões posteriores.

Uma demoníaca mistura

Há um certo brilho no olhar quando eu descrevo o que Blightbound pode ser. É uma promessa apaixonante: se junte com mais dois amigos e se aventure em diversos mapas, alternando entre personagens diferentes entre si e muitos equipamentos e habilidades.

É aquele “tempero” comum de alguns jogos mais modernos – o modelo de “jogos como serviço”, presente em diversos gêneros, dos shooters como Destiny 2 até os MMORPGs como World of Warcraft. Isto é: Jogar muitas vezes conteúdos semelhantes para garantir sua progressão, drops de itens, habilidades, personagens, e por aí vai. De longe, pode parecer chato, mas quando feito direitinho, é incrivelmente viciante.

Aonde Blightbound se difere é na embalagem: como uma inesperada mistura de beat’em up side scroller e jogos como Diablo, junto à uma formação de fases randômica, o resultado é de fazer qualquer um ficar interessado.

A estética demoníaca assola toda uma região infectada por uma espécie de corrupção chamada blight que, além de influente na forma em que o jogo será jogado, também define a ambientação e as motivações por trás do jogador.

A partir de um grupo de guerreiros das mais diversas classes dispostos à adentrar ambientes devastados para resgatar aliados e confrontar inimigos malignos, a aventura consegue integrar muito bem os conceitos da blight na forma em que o jogador vai se aventurando.

A cada vitória, a dificuldade aumenta, e seus personagens vão ficando cada vez mais “infectados” pela blight. Não é sem motivo, porém: de forma criativa, o jogo introduz personagens que podem ser jogáveis a partir das bem sucedidas missões de resgate e, quando o que você está jogando perde ou está infectado demais, você é forçado a trocar por outro bonequinho.

Não me entenda mal: forçar o jogador a tentar outras mecânicas com outros personagens que ele vem liberando é uma ideia ótima. Há mais de um dps, tank ou healer; portanto, você não é necessariamente forçado à trocar a sua função no grupo, mas sim a forma com que você está jogando o jogo.

E, infelizmente, o que Blightbound pode ser não é o que ele representa agora.

A definição de “antecipado” no termo “acesso antecipado”

Blightbound foi, para mim, uma experiência de abrir os olhos. Eu não costumo comprar acessos antecipados para jogos que estou animado. Hades, da SuperGiantGames, estava disponível neste formato há dois anos – mas esperei o jogo completo sair pra comprar e jogar, e posso dizer que é um dos meus favoritos no ano.

Mas eu não só escolho esperar o lançamento completo do jogo por questões de bugs ou performance – mas sim por questões de identidade.

Não ironicamente, eu me encontrei em uma situação de “quando será que devo escrever esta review”. Joguei o jogo com meus dois queridos amigos Willy e Gui “Drama”, que participaram da minha resenha de Divinity Original Sin II, aqui no site. E, honestamente, nenhum de nós tivemos a sensação de que seria “justo” avaliar o jogo agora de maneira detalhada. E há um motivo para isso:

Blightbound, em seu acesso antecipado, ainda não decidiu quem quer ser. Ou melhor: o que quer ser.

Você só pode escolher seu personagem quando estiver em um nível de conta específico, até lá, é aleatório. Porém, o jogo não distribui experiência igualmente (e eu não sei se isso é um bug ou intencional), então quando o Willy estava no nível em que podia escolher o personagem, eu e o Drama estávamos em níveis diferentes sem motivo aparente.

Enquanto um membro do grupo desbloqueava algo, os outros, desbloqueavam outras coisas. Às vezes, um personagem que nós três encontrávamos em uma das missões entrava no grupo só meu e de outro membro, mas não dos três. Outras vezes, entrava no de todo mundo. Raramente, só em um.

É difícil de saber o que é intencional e o que é acidental, e parece que, por ser um acesso antecipado, os inputs da comunidade podem (e devem) direcionar este jogo. Então é isso que você está comprando por 37 reais na Steam agora: fazer parte de uma comunidade disposta à evoluir o jogo junto com os desenvolvedores.

Veredito

Na minha perspectiva, porém, a análise se dificulta. Se eu for ver o jogo agora, a situação é dura: não há classes o bastante, há pouca variedade de equipamentos, a interface é confusa e muda consideravelmente entre os patches. Há pouca transparência e entendimento em como o jogo recompensa o jogador. É um jogo em grupo em que as funções de grupo não são sincronizadas.

Eu tenho certeza, porém, pela qualidade das ideias e das execuções que temos agora, que o jogo será no mínimo divertido e único para se jogar com os amigos. Ele já acerta muito – na batalha, na exploração, na cooperação, na música, na arte e em muitos outros lugares.

Agora, inegavelmente, Blightbound não é um bom jogo. Mas, também, não é um jogo. É a possibilidade de se fazer parte de um desenvolvimento e ver algo amadurecer até estar pronto. Para algumas pessoas, isso faz todo sentido, e com razão. O valor não é dos mais altos e dá pra se divertir bastante com quem está disposto, e eu tenho certeza em que ver a opinião da comunidade modificar o título deve ser algo fantástico.

Porém, no mais fundo da minha honestidade, tenho que entender que não é pra mim. Agora, para quem for, nos vemos novamente daqui alguns anos, quando este jogão estiver pronto e souber o que quer ser.