[REVIEW] Unto the End

Devo admitir que não sou muito fã da série Souls, claro não acho que jogos devem literalmente dar tudo ao jogador e guiar seus passos, mas nunca fui fã da ideia de na sua primeira lição aprender como andar e na segunda ser “ok, mate um Deus”.

Só que ai que Unto The End me surpreendeu de uma boa maneira.

Ao começar o jogo me deparo com a seguinte mensagem:
“Unto the End é diferente. Esqueça quaisquer expectativas ou suposições.
O combate é diferenciado. Pode perder sua espada, ficar sem recursos e sangrar até a morte.
Observar, ficar calmo e reagir é algo essencial.”

Isso já foi uma amostra clara de que o que eu estava prestes a jogar era diferente do que eu já havia jogado.

Somos recebidos com uma bela arte 2D, simples porém bem afetiva , e começamos com nosso protagonista indo caçar algo para sua família e caindo em uma caverna. Nesta caverna encontramos incontáveis desafios, itens e criaturas para enfrentar em nossa tentativa de retorno ao nosso lar. Com isso, aprendemos várias maneiras de lutar, se defender, pegar e trocar itens no game desenvolvido pela 2 Ton Studios e publicado pela BIG Sugar.

Mas por que comparei tal jogo com Dark Souls? Pois as fogueiras para sentar e se recuperar, fall damage, o clássico rolamento para desviar de ataques, e cada batalha você deve pensar e muito em sua estratégia, cada inimigo tem uma maneira diferente de defender e atacar, você move seu analógico para cima e para baixo para se defender de ataques e procurar brechas. De começo é desafiador ter a paciência para parar e analisar cada golpe, porém a cada batalha ganha isso se torna mais satisfatório.

Cada derrota lhe torna mais forte, lhe fazendo pensar muito antes de pular para a luta que acabou de perder, pois há alguns inimigos que irão te matar com apenas um golpe se não for rápido o suficiente, e alguns podem até ser evitados oferecendo itens em alguns momentos certos do jogo, o que nos leva ao primeiro problema.

Nunca é certo qual item devemos entregar, e muitas vezes eu quis puxar um para tentar evitar uma briga e a câmera do jogo foi jogada para fora do mapa sem motivo aparente, me deixando à mercê do meu rival. E há momentos como de um inimigo que encontrei em uma caverna no qual ele se ajoelhava e estendia a mão, um claro sinal de que precisava de algo para passar, eu ofereci cada um dos meus itens e mesmo assim ele se enfurecia e se preparava para um combate, fui procurar vídeos sobre o mesmo nível e encontrei pessoas entregando os mesmos itens que eu entreguei, e o rival até lhe entregava um item em retorno, o que no meu caso eu apenas conseguia depois de matá-lo em um árduo combate.

Outro problema recorrente é a inconsistência de respawn em Unto the End, com as fogueiras você pensa que talvez lá será seu checkpoint, porém ao morrer em algumas ocasiões você se encontra antes da fogueira ou até mesmo antes de uma outra batalha no qual você já havia vencido, deixando cada luta um pouco mais decisiva pois se eu morresse novamente eu não gostaria de enfrentar a mesma criatura.

E isso tudo se torna um pouco mais complicado, pois o combate, por mais que seja satisfatório, ele tende a ser um pouco repetitivo em alguns casos, e por mais que o jogo lhe dê alternativas como empurrar o inimigo ou rolar para longe, infelizmente a opção de ficar no mesmo lugar ainda é mais eficaz.

Relembrando, também, que mesmo o jogo me avisando que eu poderia ficar sem itens, eu me vi na situação oposta, pois mesmo saindo quase morto de alguns encontros eu ainda tinha itens o suficiente para me curar e seguir em frente. Isso sem falar que no jogo em si não há soundtrack, o que chega a ser um desapontamento pois um título com tantos momentos épicos em lutas decisivas uma boa música se encaixaria muito bem principalmente no seu retorno ao lar.

Mas mesmo assim não deixei de me divertir com a aventura, cada encontro é um novo desafio e a cada criatura uma nova estratégia, e não é muito demorado levando em torno de uma hora e 16 minutos se você for bom o suficiente e não perder nos combates, e se for alguém como eu conseguirá terminar em 2 dias, hooray!

Veredito

Unto the End é algo realmente único, por mais que tenha suas similaridades com um jogo no qual pode ou não ter sido inspirado, ele ainda consegue ter sua própria identidade, com um combate interessante e uma linda arte 2D. Se você é fã de SoulsLike, eu recomendo dar uma olhada, agora se você não curte esse tipo de jogo sugiro tomar cuidado e analisar bem antes de arriscar, eu tive essa chance e devo dizer que me senti realizado e desafiado em muitas partes de minha gameplay. O game merece a sua atenção, é um jogo bom cheio de desafios que pode ser aproveitado do começo até o fim.

Unto the End está disponível para Nintendo Switch, PS4 Xbox One, PC e Stadia.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora