[REVIEW] Casual Challenge Players Club

Há muitos títulos contemporâneos que tentam chamar a atenção com nostalgia. Trazer um público que jogava games nas gerações 8 e 16bit é um foco interessante, pois tira seu produto das brigas por gráficos e complexidade, enquanto consegue oferecer diversão descompromissada.

Casual Challenge Players Club do brasileiro Yume Game Studio segue por esse caminho, mas tenta trazer inovação com uma narrativa própria e arte em anime. O jogo mistura dois elementos: em seu núcleo está o bilhar no maior estilo Side Pocket (se não conhece, talvez seja uma pessoa muito nova, dê uma pesquisada), usamos o teclado ou o controle para movimentar o nosso taco e acertar as bolas, definindo a força e a trajetória. O segundo elemento é o de storytelling, a história, contada quase que em formato de visual novel, tudo com arte em estilo japonês. De cara fica fácil dizer que ambos elementos foram boas decisões, uma combinação que faz sentido e consegue deixar a jogatina bem agradável.

Ao todo são 4 modos de jogo:

  • A Campanha onde passamos pela história de um jogador promissor que é convidado para o clube de bilhar mais desafiador e popular do país. Aqui jogamos a primeira mesa de cada nível seguindo o padrão tradicional onde temos 16 tacadas para encaçapar todas as bolas. Depois, as mesas seguintes têm um desafio diferente: temos apenas uma tacada por bola para encaçapar todas que estão em posições pré-definidas em cada mesa. Se errarmos, a tela de Game Over aparece e precisaremos começar tudo novamente.
  • O Versus oferece partidas multiplayer locais entre dois jogadores, o vencedor é aquele que encaçapar cinco bolas primeiramente
  • O Black Ball traz disputas multiplayer locais onde o vencedor é o primeiro que encaçapar a bola preta
  • O Like A Master tem três mesas com apenas dezesseis tacadas para encaçapar todas as bolas

Fica claro que há simplicidade em Casual Challenge Players Club, o foco são as partidas de bilhar, com a narrativa sendo apenas uma demonstração da motivação do jogador. Senti falta de algum tipo de criação de personagem, isso poderia trazer uma maior imersão, já que o protagonista não é lá muito interessante. Os diálogos são básicos, servem exclusivamente para seguir de uma partida para a próxima, isso me colocou na cabeça que eu poderia jogar o game inteiro sem essa parte.

A apresentação também podia ser melhor, desde os gráficos aos textos, nada é muito marcante. A mesa de bilhar e as bolas são comuns, nada do que não vimos previamente em outros games como o já citado Side Pocket. Por último, as músicas são relaxantes, nada que ficará em nossas cabeças, mas servem muito bem para o próposito do jogo. A pegada é tranquila, o que é um contraste bacaninha durante as partidas desafiadoras.

Não há como discordar, o verdadeiro ponto de interesse no game são as partidas de bilhar. Tudo funciona como deve, nada fica fora do lugar quanto a jogabilidade. Controlamos o direcionamento do taco e a força da tacada, há um pontilhado curto demonstrando o caminho que a bola vai percorrer, auxiliando o jogador. A física parece boa o suficiente, dando a entender que cada erro cometido é totalmente culpa do dono do controle. Infelizmente, a frustração pode surgir, especialmente nos momentos onde um erro traz a fatídica tela de Game Over em seguida. Senti que a curva de aprendizado poderia ser melhor, pois houveram muitos momentos onde eu simplesmente tinha a vontade de desligar o game e não mais tentar novamente. Porém, após compreender melhor o desafio, eu conseguia sobressair ao desafio.

Veredito

Casual Challenge Players Club consegue divertir exatamente como em seu título: de forma casual. Tudo no game funciona, mas nada se destaca. É um jogo que diverte e que frustra, dependendo apenas de como o jogador vai encará-lo. Sem dúvida vale a conferida, mas sem grandes expectativas. Se curte o gênero, acho interessante que enfrente o desafio.

O game está disponível na Steam.

*análise feita com código cedido pela distribuidora