[REVIEW] Valheim

Criado pela desenvolvedora sueca Iron Gate AB e publicado pela também sueca Coffee Stain Publishing, Valheim foi lançado para PC através do Steam com acesso antecipado no dia 2 de fevereiro deste ano. Um grande diferencial deste jogo de exploração em mundo aberto é o foco no modo cooperativo, mas nada impede que o mesmo seja jogado sozinho, que foi o meu caso, joguei por pouco mais de 15 horas para escrever esta crítica. O jogo está disponível para Windows e Linux.

A história do jogo fala sobre um guerreiro morto em batalha, cuja alma foi levada pelas valquírias para o décimo mundo nórdico, Valheim. Você agora é o novo guardião do purgatório primordial e deve matar os antigos inimigos de Odin e trazer ordem. Para nossa alegria, o game possui tradução para o nosso idioma, o que facilita muito a compreensão para analfabetos no anglicano assim como eu, pois a mitologia nórdica é interessantíssima.

No começo você pode customizar seu personagem, dando nome, escolhendo gênero, tom de pele, o corte e a cor de seu cabelo. Logo em seguida, pode optar entre criar um mundo seu ou participar de um de outro jogador. No meu caso, eu tentei encontrar mundos de outros jogadores, porém não consegui em nenhuma vez me logar em algum deles, então o ideal é que você jogue com amigos. A partir daí, seu personagem aparece num lugar onde seu único guia é o corvo Hugin, no nórdico antigo “Huginn” significa pensamento.

É o pau, é a pedra, é o fim do caminho

Completamente indefeso, aos poucos o jogador vai se familiarizando com os comandos, que não são poucos, e entender a mecânica do game, que vai além de matar e coletar itens, é preciso entender o sistema de construção, onde a matéria-prima coletada será utilizada na confecção de ferramentas, veículos, vestimentas, cozimento de alimentos entre outras ações. Uma vasta gama de afazeres a qual uma simples construção de uma casa pode levar horas.

A princípio seu personagem é muito fraco, há pouca estamina para efetuar ataques e sua energia é muito baixa, uma forma de aumentar sua resistência é utilizando bastante cada movimento: correr, nadar, pular entre outros, isto fará com que seu personagem evolua. A energia é ampliada ao se alimentar. Cozinhar alimentos crus é importante, porém cuidado para não deixar nada queimar e virar carvão. Morrer significa perder parte de suas habilidades adquiridas e todos os seus itens, é possível recuperá-los, inclusive consegui recuperar itens de mortes anteriores, porém a indicação do local de onde estão os seus pertences é só o da última queda.

Ao mesmo tempo em que Valheim é complexo, ele é um jogo de ritmo lento e calmo. Quando se encontra alguns inimigos é que a situação fica caótica, pois eles aparecerão se o jogador for atrás e te perseguem persistentemente, inclusive um chefe que enfrentei usei deste artifício, levei-o para um lugar próximo de onde ressuscitava, batia um pouco e morria, ressuscitava, batia mais um pouco e morria. A energia do chefe ia aos poucos diminuindo e acabei derrotando-o. Quando consegui derrotar difícil inimigo, um bicho chamado Eikthyr, ele me concedeu seu poder que confere algumas habilidades temporárias e você não o perde morrendo.

Quando se enfrenta uma criatura grande, no meu caso foi um Troll, seus ataques são tão poderosos que eles destruíam tudo ao redor, o que é relativamente bom, pois muitos elementos destruídos podem ser recolhidos, tais como árvores, pedras entre outras coisas.

Eu sigo em frente, pra frente eu vou

O mapa do jogo é imenso e fará a alegria dos terraplanistas. Uma forma de se locomover por este mundo é usar um veículo marítimo, consegui construir uma jangada e navegar não foi nada fácil, entender como funciona o direcionamento da corrente de ar para que seu barco atinja uma boa velocidade é um pouco trabalhoso.

Graficamente Valheim é bonito e bem detalhado, não é algo espetacular, pois em alguns objetos muito próximos é possível notar imperfeições. Olhar para as paisagens é agradabilíssimo. Uma coisa que é muito legal são as mudanças climáticas no jogo, e isso interfere em sua física. Por exemplo, uma fogueira acesa é apagada caso chova. Entretanto não reparei se uma roupa molhada deixa seu personagem mais lento ou se ele acaba se cansando mais rapidamente.

As músicas variam conforme o ambiente e são trilhas que casam perfeitamente à ambientação de exploração num terreno inóspito. Os efeitos sonoros são muito bons, quando nos embrenhamos através de florestas, qualquer barulho diferente é sinal de que alguma coisa estranha irá acontecer. Não há diálogos narrados, tudo é feito através de texto, a história é contada através de grandes pedras com runas inscritas e Hugin fornece algum direcionamento à jornada.

Em Valheim não há sistema de conquistas, porém há troféus dentro do jogo os quais são obtidos com a eliminação das criaturas. Darei algumas dicas que aprendi a duras penas: Sempre que possível, faça um lar, pois não é legal você morrer e ser enviado para muito longe do seu lugar de falecimento, sempre que achar uma construção abandonada, tente deixa-la arrumada, porque nunca se sabe quando precisaremos dela. Construa baús para guardar seus pertences, uma vez que seu personagem não conseguirá carregar muitos itens. Evite explorar a noite, dado que monstros surgem em quantidade maior neste período. Aproveite para ir para casa e dormir, o descanso é muito importante para seu personagem. Uma coisa que não relatei, o jogo é situado em dias. Apesar de aparecer na jogatina, não custa reforçar a ideia, antes de sair andando por aí, tenha o melhor equipamento disponível e alimente-se.

Algo que poderia ser adicionado é a possibilidade de usar marcações no mapa, no estilo das utilizadas em The Witcher 3: Wild Hunt, isso iria ajudar muito nas explorações.

Veredito

Valheim é um ambicioso jogo que mistura elementos de um Souls-like e Minecraft, tem como pano de fundo a riquíssima mitologia nórdica e traz muita diversão. É um game que tomará muito de seu tempo, pois tudo é feito devagar e com calma, devido a sua complexidade e gama de possibilidades. Se possível, jogue com amigos, dado que a sensação que tive foi semelhante a jogar Sea of Thieves sozinho, é legal, mas pode ser uma experiência melhor no multiplayer.

*Análise feita com código cedido pela distribuidora