[REVIEW] Nandeyanen! – The 1st Sûtra

Nandeyanen! – The 1st Sûtra é um shmup desenvolvido e publicado pela suíça Tchagata Games para PC no Steam em 22 de julho de 2015, e antes do PC, versão a qual me baseei para escrever esta crítica, o game havia saído para Xbox 360 através do Xbox Live Indie Games em 27 de agosto de 2014. O título se trata de um jogo com rolamento automático na horizontal no qual controlamos um Tengu, note bem que eu escrevi “Tengu”.

Metendo o bedelho onde é chamado

Tengu é uma criatura folclórica da cultura japonesa, e segundo o site Ganseki Kai Aikido: “Tengu (天狗) significa “cachorro dos céus”, e este nome tem origem em um ser celestial canino chinês (Tien Kou). A palavra “tengu” é originária do chinês “tien-kou”, que significa “cão celestial”.” Para os mais velhinhos, a máscara que o chefão final de Art of Fighting/Ryuuko no Ken (Mr. Karate) usa é a de um Tengu.

Sutra, segundo o site Café Yoga, “significa ‘corda’ ou ‘fio’ e, mais metaforicamente, refere-se a um aforismo ou a uma coleção de aforismos reunidos num manual ou, ainda um ensinamento mais longo, em prosa.” Aforismo, segundo o site Dicio, é um “texto breve que traz consigo um fundamento que, numa sentença filosófica, pode denotar um pensamento de teor prático ou moral.”

No game, controlamos Tenguman, que desperta depois de mil anos e vê o mundo ao seu redor repleto de criaturas sem-vergonhas. Para nosso herói narigudo agir com maior senso de urgência, sua namoradinha foi raptada.

Tiro, Porrada e Bomba

Nandeyanen! – The 1st Sûtra é um shmup com um pezinho em jogo de luta, pois sua mecânica tem inspiração no Parry, ou counter como é chamado pelos desenvolvedores, presente em Street Fighter III. Explicando mais detalhadamente, temos a movimentação do boneco, o tiro e a bomba, como num tradicional shmup, porém há um terceiro botão que possui duas funções, ao apertar e soltar, o Tenguman libera uma criatura chamada Karasu-Tengu. Ao pressionar e segurá-lo e dando toques para frente no direcional próximo a um projétil inimigo, o mesmo é refletido, inclusive disparos vindos por trás. Manter pressionado por três segundos, uma rajada de energia é disparada de seu personagem. O Parry também multiplica seus pontos temporariamente ao destruir os adversários.

Alguns inimigos surgem com uma espécie de escudo, a de cor amarela pode ser rompido com o tiro normal, usar a rajada de energia do Tenguman ou de seus ajudantes. Já a azul é preciso usar o Parry para refletir o projétil do adversário contra ele e destruir sua proteção. É possível chamar até três Karasu-Tengu e eles irão atacar depois de 3 segundos, cada vez que um deles é chamado, leva-se 2 segundos para que o ajudante possa ser chamado novamente, caso se invoque os três em um curto espaço de tempo, leva-se 10 segundos para os três poderem ser usados outra vez.

Na parte inferior da tela há o HUD, da esquerda para direita temos a quantidade de vidas, bombas, os três Karasu-Tengu, ao centro a porcentagem, que aumenta temporariamente ao utilizar o Parry nos projéteis inimigos, e logo abaixo a pontuação. Quando o Tenguman encosta no HUD, o mesmo fica opaco. Durante as fases, alguns inimigos liberam itens: vida extra, bomba e um amarelo brilhante com ideograma, este é chamado de Siddham drop, há cinco destes por fase, coletando-se todos e ao chegar ao chefe de fase, o Tenguman irá invocar um poder que irá causar um bom dano na criatura. Além disso, o Siddham drop conta pontos ao final de cada fase, assim como a quantidade de vidas e bombas restantes.

A maior diferença entre os níveis de dificuldade no jogo, além do incremento no desafio, está no fato do nível mais fácil não ser preciso ficar dando toques para frente no direcional para executar o Parry.

Uh, uh, uh, que beleza!

Graficamente, Nandeyanen! – The 1st Sûtra é muito bonito, seu visual é, segundo seus realizadores, uma reinterpretação dos trabalhos de Katsushika Hokusai, pintor do estilo ukiyo-e do período Edo, outros artistas que foram inspiração para o jogo são o escritor grego radicado no Japão, Lafcadio Hearn, e Shigeru Mizuki, criador do clássico GeGeGe no Kitarou.

Nota-se que o game foi todo criado, ou grande parte, com desenhos feitos à mão, dando um aspecto de animação com recortes de figuras em papel, remete a movimentação presente em Shikhondo. Os desenvolvedores da Tchagata Games são muito fãs de PC Engine, logo Nandeyanen! – The 1st Sûtra é fortemente influenciado por um game chamado Hana Taaka Daka!? de 1991.

Os efeitos sonoros são bons, mas nada espetaculares, assim como as poucas falas. A trilha sonora mescla elementos orientais com rock pesado, a junção resulta em músicas boas, diferentes e interessantes.

Não tem chororô, este jogo acabou!

No geral, este é um jogo curto, como um aforismo, porém sem a intenção de trazer uma reflexão de natureza prática ou moral, são apenas três fases, cada estágio possui um subchefe e um chefe, e ao finalizar o game a impressão que fica é de termos vivenciado apenas o começo da jornada de Tenguman. O 1st do título dá a entender que haveria uma continuação, porém até o momento nada foi divulgado.

Para finalizar esta crítica, uma curiosidade sobre a expressão Nandeyanen: Segundo o site MATCHA, é uma das expressões mais utilizadas em Osaka e significa algo como “do que você está falando?”, “você só pode estar de brincadeira!” ou ainda “mas que p**** é essa?”, ou seja, uma expressão nipônica a qual possui várias nuances e aplicabilidades.

Veredito

Nandeyanen! – The 1st Sûtra possui elementos muito interessantes, tanto o jogo quanto as referências, pois nota-se que para o seu desenvolvimento houve muita pesquisa, entretanto a impressão a qual ficou para mim é a de um game incompleto, ele precisaria de mais um tempo para ter mais conteúdo. Diverte, mas poderia ser melhor.