[Review] Super Meat Boy

Uma coisa é certa, alguns jogos se tornam clássicos instantâneos, sobrevivendo a gerações de games.

Parece até clichê hoje em dia falarmos sobre Super Meat Boy, a chance é enorme de você já conhecer o jogo, ou de ter ao menos ouvido sobre o seu nome por aí…

Lançado originalmente em 2010, Super Meat Boy fez um barulho na cena indie que até então ganhava forças frente às altas produções de jogos (principalmente em consoles caseiros), foi assim que o game se destacou, como um jogo criativo e delicioso de se jogar.

Após ser lançado para tantas plataformas, ele ainda é uma obra que soa tão única.
Em 2018 ele chegou para o Nintendo Switch, e agora com a vinda da eshop oficialmente ao Brasil, muitos jogos estão se relocando e se ajustando pra cá, eis que nesse 2021 temos Super Meat Boy sendo vendido oficialmente na eshop Brasil. Publicado pela “Blitworks”.

A história é simples, vocé é o Meat Boy, um cubinho de carne que deve agora salvar a sua querida Bandage Girl, uma outra pedaço de carne rosa, toda cheia de esparadrapos, que foi raptada pelo vilão Dr. Fetus, que como o próprio texto inicial do jogo cita:

“Ninguém gosta do Dr. Fetus, e é por isso que o Dr. Fetus te detesta!”.

Resta agora você passar pelos mais diversos estágios, para salvar a sua princesa.

Por trás de uma história simples, revela-se o maior triunfo de Super Meat Boy: o seu gameplay encantador e viciante.

As fases aqui são diretas, por muitas vezes curtas e precisas!
Eleboradas com momentos absurdamente criativos, onde mesmo alguns estágios que trazem alguns desafios picantes, a jogabilidade sempre fluída do protagonista te carrega e deixa divertido encará-los.

O controle de Meat Boy se limita em movimentá-lo com o direcional (D-Pad ou analógico), correr e pular.
Incrível como uma forma simples não se torna repetitiva, cada desafio realmente foi elaborado para surpreender o jogador com o fator novidade, e tudo funciona tão naturalmente, que mesmo as fases que te trazem algum obstáculo inédito pelo cenário, se tornam didáticas, e você já acaba entendendo o que precisa ser feito rapidamente.

O jogo consegue não te frustar, os desafios não surgem só para irritar o jogador de forma barata, tudo depende do seu domínio com o jogo, por isso o fator replay é altamente viciante aqui, pois você sempre sentirá que conseguirá passar na próxima tentativa.

É assustador como o jogo ainda contém mais conteúdo do que inicialmente parece, Super Meat Boy esconde muito dentro de si, aumentando o desafio para quem deseja fazer 100% de tudo, ou apenas quer se divertir um pouco mais com a aventura.

É possível encontrar alguns warpzones que te levam para algum mundo secreto ou alguns curtos desafios, existe até uma homenagem aos jogos clássicos 8 bits do Super Mario escondido aqui. Além disso cada fase que você terminar na classificação A+, libera o modo obscuro dela, onde terá que passar essa mesma fase num desafio ainda mais insano.

Isso tudo eleva o jogo a ter mais de 300 fases jogáveis, indo além dos mundos que o jogo possui naturalmente.

Caso você termine alguns estágios coletando o esparadrapo escondido, você poderá utilizá-los para desbloquear novos personagens pra jogar, e não pense você que são apenas “skins diferentes para o Meat Boy”, cada personagem tem uma particularidade ao gameplay, vale destacar que alguns personagens de outros jogos podem ser desbloqueados aqui, como o Jill (com sua capa flutuante como diferencial) do jogo “Mighty Jill Off” e o Kid do jogo “I Wanna Be The Guy”.

Super Meat Boy trouxe nele um toque mágico que contribuiu demais para o replay contínuo do jogador, em que a sua morte no jogo já retorna automaticamente para o ponto inicial da fase, sem nenhuma demora, ou seja, é tudo muito rápido pra incentivar a reiniciar de forma indolor. Isso foi absurdamente copiado posteriormente por tantos outros jogos que buscam dessa fórmula de desafio contínuo.

Graficamente, Super Meat Boy lembra os clássicos jogos de plataformas (num misto de 8 e 16 bits). Cada mundo tem sua temática, e todo o cenário ganha desafios elaborados baseando-se nesse mundo, no “Inferno” (Hell), vários desafios envolverão fogo e lava, por exemplo. Curioso ver algumas boas sacadas em detalhes visuais, como quando você morre num espiral de serra, e quando o jogo volta pra você tentar novamente essa mesma serra estará suja de sangue.

Essa é outra característica forte do jogo, ser grotesco (ou mesmo nojento), mas de uma forma “doce”. Isso fica ainda mais claro quando vemos o vilão sendo um feto controlando um corpo de robô, ou ao assistirmos as divertidas cutscenes que o jogo possui, onde vemos personagens tão fofinhos em que de repente tudo muda, e uma surpresa pesada te pega no pulo, similar a quando assistimos um episódio de “Happy Tree Friends”.

A criatividade ainda permace nas criações dos chefes, onde todos são legais de se enfrentar, e surpreendentemente desafiadores. A trilha sonora também é um show a parte, misturando-se num rock delirante que mantém a vibe do jogo. Aliás, a faixa do menu inicial já deixa claro a energia como um todo.

E ainda trazendo mais novidades, essa versão de Nintendo Switch traz o inédito “Race Mode”, em que um jogador pode desafiar outro localmente, tudo isso numa tela dividida, você pode passar quatro fases seguidas enquanto vê seu amigo lá, travado em algum estágio anterior.

O fator “On The Go” do Nintendo Switch combina perfeitamente com esse jogo, ele é perfeito para se consumir em pequenas doses diárias de maneira portátil em seus dias corridos, ou mesmo numa cama antes de dormir.

Super Meat Boy está disponível pelo preço de R$24,99 na eshop brasileira. Vale lembrar também que o jogo está traduzido em português brasileiro.

VEREDITO

Embora eu tenha buscado fazer essa review visando focar especificamente a versão de Nintendo Switch, Super Meat Boy é um jogo que onde quer que seja, nunca será tarde para experimentá-lo. Facilmente um dos jogos indies mais importantes de todos os tempos, e também um dos mais influentes.

Passaram-se mais de 10 anos e tudo ainda parece tão atual, são poucos jogos que conseguem essa façanha, ainda mais jogos criados por apenas duas pessoas. Edmund McMillen e Tommy Refenes estavam focados em criar um jogo, mas no fim criaram um clássico.

E clássicos são eternos!

*análise feita com código cedido pela distribuidora