Review: Bloodroots

Rápido, violento e desafiador, características que definem muito bem do que se trata esse game, que é uma mistura de pancadaria e pulos certeiros ambientado no Velho Oeste, também lembrado como um lugar violento e desafiador, onde sempre o mais rápido sobrevive. Mas será que essa combinação deu certo? Descubra no review de Bloodroots.

Era uma vez no Oeste…

Weird West o aguarda em Bloodroots
Imagem: Divulgação

Ou melhor, no Estranho Oeste (Weird West no original) em que a trama de Bloodroots se desenrola. Centrada no grupo de bandidos conhecido como Blood Beasts, composto pelos foras-da-lei mais temidos do planeta. Como bons bandidos que são, não perdem tempo em trair Mr. Wolf, nosso anti-herói da aventura, logo nos primeiros minutos do game. Entretanto, após quase morrer em um ataque covarde e cruel, Wolf parte em busca de sangue e vingança!

A narrativa de Bloodroots é bem simples e direta, com uma história que é praticamente um clichê nos filmes de faroeste aos quais o jogo se inspira, contudo os personagens são carismáticos o suficiente para deixar tudo mais interessante e o conto de Mr. Wolf não se estende além do necessário. Ainda assim, existem alguns diálogos opcionais que oferecem um pouco mais de contexto para os jogadores interessados em se aprofundar no mundo do jogo.

O Mundo é a sua arma!

Machados, espadas e... cenouras! Tudo é uma arma em Bloodroots.
Imagem: Divulgação

Como a esmagadora maioria dos beat’em ups, em Bloodroots há apenas um botão dedicado para o ataque, entretanto praticamente tudo no cenário pode (e deve) ser usado como arma. Espadas, espingardas, bastões e até cenouras! A variedade de objetos disponíveis é tão grande que, mesmo após ter completado o jogo diversas vezes, ainda me surpreendo ao descobrir uma nova arma para trucidar os muitos inimigos que o jogo despeja em você.

Além da variedade de ataques, algumas dessas armas trazem consigo novas “habilidades” para o Mr.Wolf, como por exemplo os fogos de artificio (!) que garantem um segundo pulo se usados no ar. É claro que nem todas as armas são eficientes (apesar de todas serem hilárias). Para evitar que se abuse das melhores armas, todas elas possuem um limite de uso, sendo normalmente 3 ataques, garantindo assim que o jogador sempre fique atento e de olho em novas armas pelo caminho.

O mais rápido no gatilho

Agilidade e bons reflexos são a chave para a vitória em Bloodroots. No jogo é matar ou morrer, pois Mr.Wolf e seus inimigos são abatidos com um só hit. Não há botões de defesa ou esquiva e as fases são repletas de armadilhas. Cada estágio é um tipo de puzzle, que força o jogador a planejar uma “rota” que leve em conta tudo o que vem pela frente.

Para avançar é preciso derrotar todos na área, e então encontrar a saída. A cada nova etapa, mais perigos e obstáculos são adicionados, ao ponto de alguns estágios exigirem uma “perfect run” para avançar. Tudo isso poderia ser muito frustrante, mas o jogo é dividido em pequenos segmentos que servem como checkpoints em caso de falha, e não há punições severas como um game over por exemplo.

De certa forma, esse jogo me lembra Super Meat Boy nessa relação de tentativa e erro que o jogo propõe. E claro, assim como no jogo do garoto de carne, em Bloodroots é muito satisfatório quando você consegue finalmente passar aquela fase difícil, após inúmeras tentativas.

O Bom, o Mau e o Feio

Os terríveis Blood Beasts
Imagem: Divulgação

Bloodroots é belíssimo! A direção de arte foi para um lado mais cartunesco, que lembra muito o traço do Genndy Tartakovsky (Samurai Jack) e a trilha sonora é simplesmente espetacular! No quesito apresentação, a Paper Cult está de parabéns. Cada estágio foi cuidadosamente feito a mão e isso se reflete na riqueza de detalhes, fora a variedade de ambientes: de terríveis nevascas a desertos escaldantes, fortes e vilarejos. Os inimigos, por sua vez, acabam por se repetir e a animação dos mesmos é um pouco limitada. Por sorte, o ritmo acelerado do jogo atenua esses problemas.

Já os chefões do jogo, os Blood Beasts, roubam a cena como as figuras mais carismáticas da aventura. Além de servirem como os fios condutores da narrativa, proporcionam também os combates mais inventivos e divertidos do jogo. Para mim, Mr.Boar, Ms.Bison e Ms.Crow são o ponto alto do game.

Por outro lado, senti certa imprecisão no movimento de pulo do jogo que, aliado a uma câmera isométrica, foi responsável por inúmeras mortes acidentais. Diversas vezes também o botão para pegar uma arma não respondeu como esperado, e em vários momentos acabei por pegar um objeto enquanto queria outro por acidente. O hitbox do Mr.Wolf é também um pouco inconsistente, em especial ao saltar. Perdi a conta de quantas vezes morri para um inimigo que me atacou com um golpe corpo a corpo no solo enquanto eu estava metros acima dele no ar. Faltou polimento.

Caçador de recompensas

Curto, mas com alto valor de replay, Bloodroots usa de vários artifícios para fazer com que o jogador sempre retorne ao game. Temos um sistema de pontuação, com ranking online, que envolve manter um combo perfeito, não repetir as mesmas armas e terminar as fases o mais rápido possível. Há também alguns coletáveis, que desbloqueiam novos chapéus para Wolf, com novas habilidades, como por exemplo um pulo duplo ou maior agilidade. Com a possibilidade de retornar a qualquer fase por meio de um menu, fica muito mais fácil e simples jogar novamente os estágios vencidos em busca de maiores pontuações ou de itens que ficaram pra trás.

Estilo é o que não falta em Bloodroots
Imagem: Divulgação

Na contramão disso, existe um menu de acessibilidade que simplesmente deixa seu personagem invulnerável e elimina todos os inimigos da área ao toque de um botão. Entendo que o desafio pode ser elevado para algumas pessoas, mas isso remove completamente todos os obstáculos do jogo, e junto com isso qualquer sensação de vitória ou progresso. Vira literalmente um passeio pelas fases. Vários games possuem recursos para facilitar a vida dos jogadores sem sacrificar a diversão, em vez de tornar Mr.Wolf imortal, aumentar a quantidade de hits que ele pode receber já seria uma alternativa muito melhor do que a apresentada.

Por um Punhado de Horas

Bloodroots é sem dúvida um game onde as qualidades superam os defeitos, e eu recomendo a jogatina. Principalmente se você gosta de jogos simples mas desafiadores e que não se estendem além do necessário.

A jornada de Mr.Wolf em busca de vingança não é plena, mas alegra a alma e vale a pena.

Nota final: 4/5