Review: Garden Story

Review de Garden Story

Incrível como nos trailers apresentados, esta aventura era rotulada por uma parte do público como “mais um bom jogo de fazendinha”. Porém, a verdade é que o novo título da PICOGRAM traz bem mais de RPG e ação do que parece. Confira o review de Garden Story.

Em Garden Story somos Concord, uma pequena uva roxa que é nomeada para ser a nova guardiã e salvar todo o reino da podridão, que há anos toma conta dos locais. Podridão essa que trouxe junto inimigos que querem estragar o que resta das vilas. Concord, mesmo sendo tão jovem, topa encarar os desafios e tentar lutar pelo reino.

A aventura se comporta mesmo como um RPG tradicional. Há batalhas em tempo real, evoluções de nível e equipamentos, além de muito diálogo, tarefas e pequenos puzzles a serem resolvidos para a história prosseguir.

Aliás, aqui já vai um ponto importante neste review de Garden Story: o jogo está inteiramente em inglês. É de suma importância o entendimento dos diálogos ou das tarefas diárias (que o Concord recebe dos habitantes) para o progresso. Fica a torcida para uma futura atualização com novas legendas adicionadas. De qualquer fora, já fica o aviso para quem quer jogar e não possui tanta segurança assim com o idioma.

O dia a dia

Todo dia ao acordarmos, recebemos as tarefas dos habitantes da região atual que estamos (no máximo 3 tarefas por vez, todas expostas nos quadro de aviso). Não temos a obrigatoriedade de concluí-las até o fim de cada dia, porém ao realizá-las, fará com que o Concord receba experiências e confiança do vilarejo ao dormir. Assim, isso vai se expandindo um pouco com novos pontos de lojas, por exemplo.

Você pode fazer essas tarefas até chegar no máximo de evolução daquela região. O único ponto ruim é que elas se repetem muito. Ficando um pouco cansativo fazê-las por muitos dias seguidos. Melhor realizar aos poucos, enquanto resolve o lado principal da história. Essa dica me veio durante a jogatina e a redação deste review de Garden Story.

Vale lembrar que cada dia passa por todos os periodos: manhã, tarde e noite. Sendo assim, se atente sempre às missões dos habitantes, que algumas exigem um horário específico.

Review: Garden Story
Garden Story (Imagem: Divulgação)

O dia termina quando você volta à casa de Concord e dorme. Assim, o jogo salva automaticamente e um novo dia se inicia. Fica a dica também que na casa do personagem, você pode acelerar o tempo no banquinho dele, e assim fazer a manhã virar tarde ou já virar noite.

E já que falei de regiões, existem 4 no jogo. A primeira é Spring Hamlet, abrimos depois a Summer Bar, Autumn Town e Winter Clade. Obviamente cada uma fazendo referências as estações do ano. Abrir uma nova área não significa, exatamente, abandonar de vez a anterior, muitas vezes é necessário ir e voltar para falar com personagens e assim ir dando prosseguimento a história.

Ao ataque!

O combate em Garden Story é bem simples. Você equipa uma arma de ataque e também tem opção de equipar um escudo. Com um botão você ataca e outro se defende. Há aquela boa e velha opção de rolar para desviar de investidas inimigas.

Concord possui uma barra de estamina, cada ataque ou corrida irá gastando-a e exigindo que você espere a barra recarregar. Por isso cuidado ao atacar muitos inimigos ao mesmo tempo. E claro que como parte da evolução de Concord, essa barra vai se aumentando com o tempo. Também há algumas poções que podem ajudar nos perigos da aventura.

No progresso para liberar as novas regiões, sempre uma batalha com chefão te espera. Essas batalhas embora não sejam lá tão criativas, acabam sendo momentos mais intensos e que exigem cuidado. Saber dosar a sua estamina e ataque é o essencial nelas. As batalhas de chefes ajudam a dar um ar de realização pessoal ao modo história.

Review de Garden Story
Até a pescaria tem elementos de RPG (Imagem: Divulgação)

No fim, Garden Story sempre se passa em um ciclo disso tudo. Realizar tarefas para habitantes, dialogar, coletar materiais, coletar dinheiro, evoluir, prosseguir e abrir novas áreas. Algumas coisas quebram esse padrão e ajudam na variação desse ritmo. Como quando conseguimos abrir o equipamento de criar itens e podemos carregar a bolsa de reformas para pontos do vilarejo que devem ser reconstruídos, como uma ponte, por exemplo.

Outra quebra são as memórias que Concord vai coletando dos guardiões antigos durante o jogo, elas podem ser vistas quando o protagonista vai se deitar. As memórias também ajudam na evolução do nosso personagem. Outros itens como a vara de pesca (que serve bem mais que apenas pescar) também mudam a dinâmica de Concord pelo mapa.

Jardim desequilibrado

Durante o meu review de Garden Story, senti que algumas coisas poderiam se concretizar melhor no jogo. Talvez se a evolução do Concord pelas tarefas dos habitantes andasse mais alinhada com a evolução da história, por exemplo, seria mais direto e eficiente. Você acorda todo dia e recebe as tarefas, mas mesmo não tendo obrigação de fazê-las até ir dormir, elas acabam sendo necessárias para que o protagonista cresça nos seus atributos

Outra coisa que me incomodou é o inventário de Concord. Ele é bem limitado para carregar os materiais que conseguimos. A primeira vista parece ter bastante espaço, mas isso é só até descobrirmos que os itens iguais não ficam no mesmo espaço. Então, ao quebrar um toco de árvore e coletarmos 3 gravetos, ocuparemos 3 espaços, ao invés de um único espaço com 3 peças acumuladas.

É um pouco irritante pegar algo e receber o aviso de que não temos espaço pra carregar. Surgem duas opções: descartar algo ou achar um baú e depositar o excesso que temos. Esse baú não se encontra em toda área, por sorte podemos usar da produção de material pra criarmos alguns baús e fixá-los em novos locais. Senti um desequilíbrio nessa decisão dos desenvolvedores.

Os gráficos de Garden Story
A arte é fofa em Garden Story (Imagem: Divulgação)

Graficamente, o que vi durante o review Garden Story é uma arte fantástica, todo seu pixel art é bem feitinho, personagens sempre bem desenhados, detalhes de cada vila das regiões são soberbos. Mesmo assim, por causa de decisões artísticas, de vez em quando você se bate em locais sem querer. Isso ocorre por causa das elevações não estarem tão claras à primeira vista.

A trilha sonora é lindíssima, as composições são magníficas. Às vezes eu parava para ouvir o tocar calmo do piano. A música se comporta muito bem para o dia a dia de Concord, sem se tornar enjoativa. É realmente apaixonante.

Veredito

Garden Story não inventa a roda, mas consegue ter a sua identidade própria. Quem vai jogar esperando um novo Stardew Valley vai se espantar com o que realmente o jogo é. Você até encontra aqui leves toques de jardinagem, mas o jogo se propõe a muito mais ação, com fortes toques de RPG do início ao fim.

É um jogo que se renova pouco ao longo de sua jornada, mas que ainda assim se mantém relaxante e gostoso de se jogar do início ao fim. É gratificante ser a uvinha Concord, por mais um dia no mundo de Garden Story.

Nota final: 4/5

*análise feita com código cedido pela distribuidora