Review: Dandy Ace

Review Dandy Ace

Dandy Ace é o mais novo jogo do gênero roguelike da área. Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Mad Mimic, e publicado pela NEOWIZ, o jogo chega disponível para todas as plataformas. Analisaremos aqui a versão para Nintendo Switch. Muitos comparam o título, inicialmente, como um “Hades brasileiro”, porém a identidade de Dandy Ace é bem única.

Era uma vez , um ilusionista que se tornou o maior mágico do mundo.

Por anos, ele foi amado pelo público. Ele até fazia as criancinhas chorarem de alegria. Seu nome era: Lele, O Ilusionista de Olhos Verdes.

Mas, infelizmente, um dia tudo foi roubado dele por um mágico falso, um… um charlatão… Que se chama… Dandy Ace!

Com performances medíocres e aparência elegante, Ace, e eu realmente não sei como, se tornou o mais amado de todos os mágicos.
Esmagado pela injusta realidade de seu destino implacável, Lele não teve escolha senão recorrer ao infame Espelho Amaldiçoado.

“Você tem o poder de criar um mundo totalmente novo, mas pelo preço de sua alma” Disse o espelho

“Eu entendo, eu sou seu! Agora, veja o maior truque de mágica de todos os tempos! E assim, do nada, quando ninguém esperava Lele aprisionou seu arqui-inimigo de longa data.

Em um piscar de olhos, Ace se foi, preso dentro do espelho amaldiçoado.

Assim somos apresentados a história ao ligarmos Dandy Ace pela primeira vez. Obviamente, ela é contada sobre os olhos de Lele, cuja inveja do sucesso de Ace o fez aprisionar o herói em seu palácio. Seu objetivo é zombar e judiar da reputação do novo mágico do pedaço.

A história serve mais como aquele pano de fundo para o objetivo maior que é o próprio gameplay. Uma busca implacável de Ace para chegar ao ilusionista malvadão de olhos verdes, Lele. O jogador passa a encontrar uma progressão não linear num palácio que sempre muda, no qual Ace terá que passar por diversas salas contra inimigos variados e desafiadores.

Dandy Ace tem seu maior triunfo justamente na sua jogabilidade. Como é gostoso de se controlar o protagonista! Uma fluidez magistral sentida por todo o jogo. Como já é tradicional do gênero, algumas fases são repletas de inimigos diversos, e são exatamente nesses momentos que a fluidez é notória e prazerosa. Se você morrer, pode ter a certeza de que foi apenas por aquele leve descuido seu.

Dandy Ace
Gameplay é frenético em Dandy Ace (Imagem: Divulgação)

Dandy Ace traz consigo outro ingrediente tradicional do gênero roguelike: a dificuldade. Ela é até gradual, mas traz alguns momentos bem penosos e que exigem reflexos primorosos do jogador. Conforme você progride, você notará que os inimigos se renovam. Então digamos que cada novo “bloco” que você avança no palácio, terá que aprender os novos padrões de ataques dos novos inimigos que surgem ali.

É um clássico tipo de desafio que vemos no estilo. No palácio ainda encontramos alguns portais para teletransporte, facilitando o andar pelo mapa, podemos encontrar baús com itens e cartas, por exemplo. Inimigos derrotados também cedem coisas, como o cupcake para recuperarmos energia. Há chaves que quando encontradas podem abrir determinadas portas pelo mapa, cada uma possui um naipe do baralho (copas, paus, ouro e espada) e pode abrir as portas que tenham o naipe correspondente.

Inimigos e amigos em Dandy Ace

E como enfrentamos os inimigos do palácio? Bom, aqui brilha mais um ponto de Dandy Ace. O combate nas frenéticas batalhas!

Podemos equipar nosso mágico com quatro cartas. Sendo que cada uma será conectada a um dos botões do controle (Y, X, B e A no Nintendo Switch).

As habilidades das cartas dependem de suas cores:

  • Cartas rosas: Representam as cartas de ataques. Podem ser ataques de distância ou próximos;
  • Cartas azuis: São as cartas para habilidades de movimentos, uma rápida esquiva parao Ace, por exemplo;
  • Cartas amarelas: Representam as cartas de controle, elas ajudam Ace a equilibrar um pouco o ritmo numa batalha, paralisando inimigos atingidos, por exemplo.
Tipos de carts do jogo
Se acostume com os tipos de cartas (Imagem: Divulgação)

Porém, essa dinâmica não acaba aí. Encontramos muitas outras cartas na nossa jornada, e essas podem ser equipadas abaixo das suas cartas principais, servindo como um “boost” para as suas cartas de uso principal (ou primárias). Outro lance excelente de Dandy Ace é que seu cartel de quatro cartas pode ser ajustado sempre que quiser, então você pode se equipar como deseja. Quer ser mais agressivo? Retire uma carta amarela e se equipe com mais uma de ataque (rosa) em seu lugar!

Minha dica é: não tenha medo de encontrar novas cartas e de usá-las. Aprender como cada uma funciona e tirar vantagens com elas é essencial para moldarmos nosso estilo de jogo conforme os tipos de salas e inimigos que iremos encontrar. Por conta dessa mecânica, Dandy Ace nos entrega mais de mil combinações possíveis, por isso é bom nunca nos limitarmos em usar das mesmas possibilidades.

Não é apenas isso que ajuda a evolução do nosso personagem. Nosso mágico Ace encontra em sua jornada as suas ajudantes de palco Jolly Jolly e Jenny Jenny. Elas ficam entre o fim de um bloco de salas para o próximo novo bloco. Ao conversamos com Jolly Jolly, podemos gastar os cristais de vidro que ganhamos nas batalhas para liberar novos tipos de cartas e diversas outras melhorias. Jenny Jenny nos ajuda com a possibilidade de equiparmos acessórios (um novo a cada vez que ela for encontrada) que nos ajudam na nossa jogatina atual.

Review de Dandy Ace
Use sabiamente as suas ajudas e melhorias (Imagem: Divulgação)

A premissa natural de um roguelike é essa: rejogar, se fortalecendo e assim facilitando cada nova jogatina nesse conhecido “Palácio que sempre muda”, em que cada partida oferecerá novos desafios e combinações para explorarmos e chegarmos até Lele.

É necessário ir decorando os padrões de inimigos e de chefes, que aliás, também estão presentes em Dandy Ace. As batalhas dos chefes é outro bom acerto da obra.

Roguelike brasileiro

O jogo está totalmente dublado e legendado em português brasileiro. Falando nisso, a Mad Mimic optou por usar de alguns populares criadores de conteúdo do Brasil para dublarem os personagens no jogo. Com alguns deles dublando até mais de um personagem. Entre os nomes estão Patife, Gabi Catuzzo, BRKsEDU, VinieMatos, LJoga, Kalera e Maethe.

Isso implica em duas coisas: com certeza o marketing nacional vem a se fortalecer bem nisso, mas por outro lado é visível como grande parte da dublagem ficou parecendo algo sem “muito profissionalismo”. Não é de toda ruim, mas é notável como é algo bem mais “cru”. Em todo caso, creio que o público mais jovem vai se esbaldar com a dublagem, já o público mais maduro pode se dividir. E bom, caso você venha a se incomodar, é possível manter a legenda em português e trocar para a dublagem em inglês, que foi feita de forma bem mais profissional.

O jogo ainda oferece um bom menu de controle de altura e frequências de algumas vozes nas jogatinas.

Graficamente, Dandy Ace é lindo e agradável, seja pela ambientação, personagens, detalhes (como as mesas de jantar no palácio) ou mesmo nas telas de diálogos e cena de abertura da história. Tudo tem uma belíssima identidade visual misturando aos tradicionais tons roxo e rosa, cores marcantes no game.

Além disso, Dandy Ace traz uma trilha sonora altamente empolgante que se encaixa perfeitamente ao tipo de jogo e temática.

Vilão Lele
Será você capaz de derrotar o Lele? (Imagem: Divulgação)

Veredito

Em tempos em que jogos roguelike estão cada vez mais populares no meio indie, a Mad Mimic fez de Dandy Ace um grande acerto. O título funciona bem para os fãs do gênero ou para iniciantes. É difícil de ficar aqui encontrando defeitos, pois o jogo se comportou naturalmente bem.

Dandy Ace é gostoso de jogar e de se repetir, repetir e repetir. E isso para um jogo roguelike é algo no mínimo, perfeito!

Nota final: 4/5

*Análise feita com código cedido pela produtora