Review: Into the Pit

Into the Pit é apresentado como uma mistura de DOOM com uma pitada de magia arcana em arenas no bom e velho estilo roguelike, mas seria esse modesto indie criado pela Nullpointer Games uma viagem nostálgica aos bons FPS do passado ou seria o “fundo do poço” do gênero? Descubra em nossa análise.

O Poço Profano!

into the pit
Por mais fundo que seja, esse poço é bem raso em conteúdo (Imagem: Mozart Geraldo/Indie ON)

Em um vilarejo remoto reside um poço demoníaco que despertou o interesse de uma família que vive em busca de artefatos místicos. O jogador assume o controle de um membro dessa família que parte à procura de sua prima desaparecida e então descobre que para encontrá-la terá que adentrar neste poço que serve como um portal para o inferno. Para sobreviver, estarão ao seu dispor diversas magias e feitiços para combater as criaturas do mal.

Visual à moda antiga

Into the Pit exibe visuais que remetem aos jogos de tiro em primeira pessoa dos anos 90, em especial games como DOOM e Hexen. Porém, diferente destes clássicos do passado, o estilo visual e as cores hipersaturadas chegam ao ponto de causar desconforto visual ao jogador, e o pior, não há qualquer opção de ajustes relacionados aos gráficos. Depois de um tempo, é possível se acostumar com os gráficos, mas Into the Pit errou feio na direção visual.

Into the Pit
O visual do vilarejo chega a incomodar os olhos (Imagem: Mozart Geraldo / Indie ON)

Rogue(dis)like…

O estilo de jogo conhecido por roguelike já está aí há uns bons anos, mas foram sucessos recentes como Dead Cells e Hades que ajudaram o subgênero a ganhar força e atingir popularidade de mainstream. Into the Pit pega carona nessa crescente e utiliza diversas mecânicas do estilo: a cada nova incursão ao poço, o jogador precisa sobreviver a cinco andares subterrâneos, sendo o quinto andar a arena do chefão de fase. Para descer, é necessário destruir todas as keystones em cada uma das 4 arenas em cada nível. Após concluir cada estágio, o jogador é recompensado com alguma nova habilidade ou vantagem que o ajudará a prosseguir nos demais níveis, mas se morrer, perde tudo e retorna ao vilarejo.

Vila
Não se engane, essa vila possui zero interação com o jogador. (imagem: divulgação)

No entanto, assim como em Hades, por exemplo, é possível adquirir melhorias permanentes, que aqui são as runas, e para obtê-las, o jogador precisa atender certos requisitos como resgatar um determinado número de moradores da vila ou juntar certas quantidades de ouro ou demais itens. Contudo, diferente de Hades, as melhorias aqui não são significativas o suficiente para tornar o gameplay mais interessante, junto a isso o layout das arenas é também bastante repetitivo e pouco inspirado. Pra completar, a história do jogo é extremamente rasa, não possui qualquer interação com NPCs além de algumas caixas de texto e cartas encontradas pelas arenas do jogo.

Uma luz no fim do Poço

Into the Pit
Into the Pit (Imagem: divulgação)

Apesar das duras (e merecidas) críticas que fiz ao jogo, é notável a boa intenção na proposta apresentada em Into the Pit. Talvez, como na maioria dos games, faltou mais tempo para amadurecer tal proposta e é claro, polimento. É visível que a simplicidade nos gráficos foi uma escolha deliberada para invocar no jogador aquele espírito nostálgico dos jogos do passado. A trilha sonora também busca construir uma atmosfera “dark” e se sai muito bem nisso, mesmo com a total ausência de vozes nos diálogos. Os controles geralmente respondem muito bem e parecem devidamente calibrados. Mesmo com a presença de um bug causado por apertar o botão de pulo no término das fases, no geral não há um grande defeito ou problema crítico.

Veredito

O que afunda Into the Pit no final é a soma de todos os seus atributos, que resulta em um game maçante, repetitivo e com pouquíssima variedade. Entretanto, é possível ver o potencial oculto na obra, acredito que o pessoal da Nullpointer Games só precisa cavar um pouco mais fundo.

Nota final: 2/5.