Review: Red Ronin

Red Ronin logo

Imagine a fusão certeira de um jogo tático, puzzles, e a rapidez ninja nas batalhas. É assim que é Red Ronin, da produtora brasileira Wired Dreams Studio e publicado pela QUByte Interactive, chega surpreendendo!

O jogo traça a busca de vingança da nossa ninja, RED, contra toda sua ex-equipe. Uma vez que todos eles armaram uma emboscada da qual Red, com muita perspicácia, conseguiu escapar e sobreviver.

Red Ronin se passa em meio ao ano de 2040, numa cidade com todo aquele ar cyberpunk de ser. O jogo busca nos fornecer mais arcos para irmos entendendo toda essa traição contra a protagonista. Assim, conforme progredimos no jogo, as peças da história vão se clareando.

Ao terminarmos toda a primeira parte da aventura, conhecemos o local em que Red mora. Ali podemos acessar chips que surgem aos poucos, que trazem algumas gravações suspeitas da época da equipe de Ronin. O melhor de tudo é que essas “gravações” são também partes jogadas por nós, onde passamos a controlar outros personagens, como a Yellow, sensei da Ronin. O gameplay muda levemente entre ela e a Red.

Porém, a protagonista não está sozinha. Ela conta com a ajuda de Issac, uma espécie de robô-drone. Ele dá auxílio com algumas dicas e também com estratégias para o combate.

Sangue e estratégia

Falando no combate, é aqui que Red Ronin merece toda sua atenção. O jogo se passa por telas com inimigos que devem ser aniquilados para que a saída se abra. É dessa forma que passamos para a próxima sala.

Red Ronin tem na sua essência de batalha o sistema tático, porém misturando a um tipo de “Dash n’ Slash”, que traz muita agilidade na conclusão dos movimentos e aniquilação dos inimigos (afinal, estamos num jogo de uma ninja, né?!).

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Red deve aniquilar todos os inimigos! (Imagem: Divulgação)

Vou explicar a forma que o sistema de Red Ronin funciona: A cada movimento curto ou longo que você faz, no seu turno, a protagonista pode deslizar em uma reta pelo cenário. Ela só será parada se tiver alguma parede a sua frente. Sempre que ela passar por um inimigo nesse caminho, ela o matará.

Dessa forma, o inimigo próximo a você, no turno dele, anda apenas uma casa. Se ele se movimentar e ficar próximo a Red, ele a mata com um único golpe. É claro que quanto mais inimigos no cenário, mais você terá que pensar cada movimento para não parar de frente com um oponente que pode te acertar no próximo movimento.

Esse conceito todo é onde Red Ronin brilha. Esse sistema funciona numa fluidez de forma bem direta e intuitiva. Red desliza pelo cenário rapidamente, o inimigo anda uma casa, controlamos Red novamente. E assim por diante. Se morrermos, o cenário reseta automaticamente.

A parte de puzzle do jogo se deve ao fato de que não dá para ficar controlando a Red a vontade. Cada movimento deve ser bem pensado. Seguir o andar do inimigo e planejar turnos a frente. E acredite, houveram cenários em que fiquei um bom tempo até enfim acertar os movimentos e resolvê-los.

A grande maioria dos capangas inimigos morrem com apenas um acerto, porém, conforme progredimos, encontramos inimigos que necessitam de dois golpes. Alguns cenários também se modificam, trazendo por exemplo, um feixe de laser que desliza pelo cenário todo.

Ainda sobre as batalhas, existem dois poderes que podemos usar. A paralização de inimigos por dois turnos e as setas de movimento. Esses poderes ficam espalhados pelo cenário, se o pegarmos podemos utilizá-los uma vez apenas.

O primeiro poder, como é bem claro, paraliza os inimigos por dois turnos. Isso permite você a se movimentar sem preocupações de ataques inimigos. É possível usar isso para escapar, matar um inimigo que ficaria muito próximo no turno seguinte ou até aniquilar inimigos que exigem dano duplo de uma só vez.

As setas de movimento estão ligadas ao chamado “modo tático”. Isso faz com que o tabuleiro se congele (graças ao Issac) e assim você pode posicionar no chão uma seta direcionada para um lado. Isso pode fazer com que a Red, ao se movimentar e tocar essa seta, automaticamente faça um movimento naquela direção (num mesmo turno). O uso certo dessas setas são essenciais para se concluir os puzzles.

Quanto mais rápido você eliminar os inimigos, você ativa o “combo mode”. Assim, mais pontos acumulados você ganha. No fim de cada capítulo aparece sua nota de classificação, além de marcar também o número de vítimas, suas mortes, números de turnos, tempo total e seus pontos conseguidos.

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Red não perdoa! (Imagem: Divulgação)

Red Ronin é fácil de aprender, difícil de dominar

Isso tudo parece complexo? Pois bem… Não se assuste. É tudo bem fácil de assimilar e utilizar. O jogo também se preocupa em treinar bem o jogador a utilizar tudo no início. Lembrando que esses poderes valem para Red. Alguns outros personagens que controlamos possuem outras mecânicas.

O jogo traz ótimas batalhas com chefes. Red, em sua residência, acessa a sua “Death List” com os traidores. São esses nossos alvos a serem eliminados no jogo. Após passar por diversos cenários, damos de cara com cada chefe de cada capítulo específico. São ótimas batalhas que pedem atenção dobrada em seus movimentos, qualquer vacilo de movimento pode ser fatal. Fica o destaque a essas batalhas de chefes que conseguem inovar o desafio dentro de uma jogabilidade tão especifica como a de Red Ronin.

Vale lembrar que após concluirmos toda a primeira parte do jogo e encontrarmos a casa de Red pela primeira vez, o jogo passará a salvar de cenário a cenário. Dessa forma, mesmo que você trave em um chefe ou cenário específico, você pode continuar depois, exatamente dali. Os continues são ilimitados.

Graficamente, Red Ronin é pixel art puro. Há um ótimo estilo de detalhes e movimentos. Os inimigos e cenários são bem desenhados. Seria horrível, nesse jogo em específico, se o cenário confundisse nossa visão por alguma poluição gráfica ou coisa do tipo. Isso não ocorreu comigo, até mesmo o chão recebe uma divisão em quadradinhos facilitando nossos rápidos movimentos. É possível ver cada sangue jorrado de cada inimigo retalhado, tudo pra ilustrar bem o lado “gore” das matanças.

Nos diálogos (que aliás, estão em português) vemos os rostos dos personagens bem desenhados também.

A parte sonora é ok. Funciona no sentido de não distrair ou atrapalhar o foco do jogador. Tem toda uma vibe cyberpunk com toques eletrônicos bem leves. Como ela serve mais de fundo enquanto pensamos nos movimentos, ela tem uma certa monotonia, mas que creio ser proposital. Justamente por isso, não chega a incomodar.

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Ótimas batalhas te esperam em Red Ronin (Imagem: Divulgação)

Veredito

Red Ronin traz uma experiência criativa de puzzles e batalhas. Um exímio jogador pode acabar a aventura em pouco mais de 2 horas, mas os demais podem passar fácil de 6 horas. Não é um tempo longo, mas é um tempo ótimo para tudo não se tornar cansativo ou repetitivo.

É gostoso de jogar, rápido, violento, desafiador e funcional! Embora ele tenha uma narrativa toda para vingança de Red (cujo ponto final nos deixa coisas em aberto), seu maior mérito é mesmo a criatividade de jogabilidade entre seus puzzles e batalhas. Tudo isso torna cada ponto do jogo incrível a ser jogado.

Nota final 4/5

*análise feita com código cedido pela distribuidora