Review: Tunche

Review: Tunche

Diretamente do Peru para o mundo, será que a aventura pela floresta amazônica criada pela LEAP Studios vale a pena? Confira se Tunche entrega uma jogabilidade e uma narrativa que os jogadores precisam.

Território Inexplorado

Tunche
Arte bem original (Imagem: divulgação)

Tunche é um game que mistura muitos estilos em um. Combinando uma jogabilidade de um beat ‘em up moderno com elementos de roguelike e progressão de habilidades como em um RPG. Até aí, muitos títulos já fizeram algo parecido, mas, para mim, o que saltou aos olhos foi justamente a ambientação e enredo que exploram o folclore e as lendas peruanas situadas na Amazônia.

Como brasileiro, é fácil esquecer que parte da maior floresta do planeta também ocupa territórios além das fronteiras do nosso país, e é fascinante conhecer e descobrir novos mitos e criaturas advindos de uma cultura tão rica, mas relativamente desconhecida.Diria que simplesmente tal fato seria motivo mais do que suficiente para se aventurar em Tunche dos nossos vizinhos peruanos.

Tunche é arte em forma de jogo

Gameplay
Cores muito vivas (Imagem: divulgação)

No aspecto visual, tudo em Tunche é deslumbrante! Isso deve-se ao fato dos talentosos artistas da LEAP Studios utilizarem cenários e personagens desenhados à mão, que por sua vez são animados de forma bastante competente. Com isso, garantindo aquela fluidez que nos faz pensar estarmos controlando um desenho animado.

Falando nisso, é impossível jogar Tunche e não associar sua direção de arte ao mais recente jogo da franquia Battletoads. Isso, ao meu ver, é um ponto positivo para o game. Contudo, senti que faltou um pouco mais de variedade nos cenários e inimigos presentes, mas nada que comprometa a experiência como um todo.

Pancadaria, com estratégia

Tunche
A jogabilidade é bem dinâmica (Imagem: divulgação)

À primeira vista, Tunche parece um jogo estilo beat ‘em up nos moldes de clássicos como Streets of Rage e Final Fight. Porém, aos poucos novas camadas de complexidade são adicionadas e os elementos roguelike são introduzidos e, então, apenas esmagar o botão de soco já não é suficiente. É preciso ter cautela ao avançar, já que se o jogador morrer, é estaca zero, ou quase isso, pois diversas recompensas são oferecidas a cada nível completado.

Algumas dessas recompensas são permanentes, dessa forma é possível progredir na aventura aos poucos. De fase em fase, é possível conquistar os desafios lançados na obra. Com cinco personagens selecionáveis, cada um com habilidades e fraquezas distintas, somado ao sistema de evolução e a possibilidade de jogar em modo co-op com os amigos, Tunche garante muitas horas de diversão com um enorme fator replay.

Na floresta de Tunche, nem tudo são flores…

Skilltree
Habilidades em Tunche (Imagem: divulgação)

Tunche é um jogo indie cheio de qualidades, principalmente no campo artístico. É evidente como a LEAP Studios se esforçou para entregar uma aventura original, contudo, nem todas as ideias se encaixam perfeitamente. Talvez por tentar ser muitas coisas em uma só.

Por exemplo: existe um medidor de estilo que aumenta de acordo com a variedade de ataques e extensão dos combos, mas a natureza roguelike em Tunche limita demais o jogador, especialmente no início, ao ponto desse sistema de estilo ser um “incômodo” no começo e banal no fim.

Também considero um pouco confuso o sistema de evolução de personagens. Levei um certo tempo até me acostumar com isso, talvez seja algo particular à minha experiência ou talvez Tunche pudesse simplificar o processo de aprimoramento, tornando a jogatina mais agradável. Por fim, a impossibilidade de mapear os botões do controle me gerou certo incômodo, visto que um game voltado para a ação poderia ao menos ter versões alternativas de controles.

Veredito

Tunche
Muita pancadaria no game (Imagem: divulgação)

Mesmo com algumas pedras pelo caminho, vale muito a pena explorar Tunche selva adentro. Com belos visuais e bastante conteúdo para desbravar, essa aventura recheada da cultura peruana é uma amostra de que o mundo (dos videogames) ainda tem muito o que mostrar. O cenário independente é o palco destes destemidos e intrépidos exploradores de mundos virtuais, então não deixe de se aventurar.

Nota final: 3,5/5

*Análise feita com código cedido pela distribuidora