Review: Loop Hero

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O estúdio Four Quarters trouxe nesse ano o jogo Loop Hero em parceria com a Devolver Digital. Definitivamente uma pérola recente no universo dos jogos indies, o título é altamente viciante. Ele mescla conceitos de vários outros gêneros, em um mundo onde VOCÊ estará no controle dele, e não exatamente no controle do personagem.

Minha maior preocupação durante minhas jogatinas era de como eu iria explicar em palavras o quão magnífico é jogar Loop Hero, seu conceito e o quanto tudo é tão realizador. Eu preciso fazer jus a sensação que tive ao jogá-lo. Eu dei o meu melhor aqui, espero que todos vocês aproveitem essa análise.

Um mundo de ciclos

Loop Hero começa nos apresentando um mundo destruído por um bruxo maligno. Nosso personagem perde sua memória e quando desperta se vê sempre num mundo vazio. Um mundo em que a cada volta que damos, completamos um ciclo atemporal. E a cada novo ciclo, teremos novas surpresas.

Nosso ponto inicial no mapa é marcado por uma fogueira. A cada volta completada até ela, recuperamos parte de nossa vida. Além disso, é aqui que enfrentaremos a maior dualidade das decisões: se devemos parar por aqui, voltar ao acampamento e aproveitar 100% de tudo o que conseguimos na expedição atual e recomeçar uma nova ou se seguimos e arriscamos tentar completar mais uma volta e garantir mais melhorias e itens.

Também podemos parar e voltar no meio do caminho, mas levando apenas 60% do que conseguimos. Porém, se morrermos durante a expedição, será pior, levaremos apenas 30% de tudo.

A cada novo mapa iniciado ele se modificará. Isso é algo vindo dos jogos roguelike, mas a cada novo início, a memória de nosso personagem ainda estará enfrentando um mundo vazio. Assim, deveremos reconstruí-los em uma nova expedição. O fator roguelike alterando cada forma de mapa em Loop Hero faz com que não possamos ficar repetindo estratégias, sempre temos que repensar bem no que fazer.

Loop Hero
Há muitas informações em Loop Hero (Imagem: Divulgação)

A jogabilidade de Loop Hero

Essa é a premissa do “loop” no jogo: iniciar num circuito vazio que aos poucos vamos preenchendo, conseguindo batalhas, recursos, melhorias de armas, espólios para a classe de nosso personagem, itens importantes para a construção em nosso acampamento, enfim… Tudo gira em torno do mundo que nós criamos, estamos no controle dele, nós decidimos  que tipos de desafios enfrentar, ou até mesmo quando parar.

Bom, e como se dá esse controle dessa evolução e construção ao circuito vazio no mapa que estamos? A solução está em cartas místicas que vamos recebendo durante as voltas dadas. Em cada nova batalha é sempre possivel conseguir armas ou cartas para nossa evolução do mapa atual.

As cartas se dividem entre as que se instalam diretamente ao interior da estrada do circuito no mapa. A carta “Bosque”, por exemplo, cria uma parte florestal no quadrado escolhido no mapa.

Existem ainda cartas com funções que se prendem próximas às bordas do mapa. Essas cartas, por exemplo, podem gerar casas de vampiros ou casulos de aranhas, gerando inimigos que sempre darão “respawn” a cada novo dia iniciado (a duração de cada dia é visualizada no canto superior esquerdo da tela).

Também existem as cartas que podem ser usadas para implementarem ao longo de todo o cenário externo do mapa. Normalmente elas contribuem para o farm de itens para evoluirmos o nosso acampamento.

Escolha bem suas cartas (Imagem: Divulgação)

Evoluir o acampamento é primordial. É assim que conseguimos habilitar novas classes de personagens, o centro de ferramentaria, centro de herbárias, entre demais evoluções.

Com tudo isso em mente, vale entender como pesa a decisão de dar mais uma volta ao mapa ou parar e trazer tudo para o acampamento. É inegável que a vontade de completar mais uma volta sempre vai existir, porém a cada loop, os inimigos se fortalecem. Assim, Loop Hero lança perguntas para o jogador: Terá você confiança nas armas atuais que possui? Será que o mapa já não estará cheio de inimigos que irão te surpreender num momento?

Perguntas e aprendizado

A maior lição que aprendi em Loop Hero é que a ganância leva a perdição. Quantos itens não perdi achando que mais uma volta seria completada? E acredite, levar seus itens ao máximo e poder ir aumentando seu acampamento facilitará muito. Porém, não é uma boa arriscar sempre. Em certos momentos, manter os 60% pode ser mais interessante do que tentar os deliciosos 100%.

Mas qual o objetivo de um mapa? Como se termina? Porque devo enchê-lo de inimigos?

Todas essas perguntas se respondem ao notarmos mais uma segunda barra na tela que vai se preenchendo a cada batalha que vencemos. Assim que ela estiver cheia, nossa fogueira inicial dará lugar a um enorme castelo e teremos o confronto com o chefe. Se passarmos, concluiremos esse capítulo e iremos para o próximo. Assim, um novo mapa vazio será reconstruido com nossas voltas.

Não pense que os chefes são fáceis, tanto que o jogo sempre nos dará antes a opção de realmente enfrentá-los ou voltar vivo ao acampamento e levar 100% da nossa colheita atual. A primeira vez que fui enfrentar o chefe, apanhei demais, mas Loop Hero é um eterno aprendizado, de riscos e surpresas. A cada vez que jogá-lo, você terá mais experiência de como usar suas cartas, de como são tais inimigos, de como melhorar sua coleta de itens, etc.

Você nunca rejogará um mapa da mesma forma, talvez por isso Loop Hero consegue ser extremamente viciante.

Loop Hero
A arte do jogo é muito interessante (Imagem: Divulgação)

Evoluir sua vila de acampamento ainda traz a possibilidade de se conseguir novas cartas. Você deve habilitar apenas 12 delas para ir aparecendo em sua expedição. Fica a dica de sempre testar novas opções, aprender com cada uma e ter seu “pack predileto” pra jogar.

Além dessa clássica estratégia dos jogos do gênero card game, Loop Hero ainda traz conceitos de RPG. Ao tratarmos de evoluções de equipamentos, evolução de nível do personagem, builds diferentes que podemos fazer e até nos diálogos.

Ainda no gênero de RPG temos as batalhas que aparecem no centro da tela. O destaque fica para o nosso personagem, pois não temos controle sobre ele. As ações ocorrem automaticamente, apenas podemos ir trocando as armas se acharmos necessário. Lembre-se do que eu disse no início: estamos no controle do mundo, não exatamente das ações do personagem em si.

Combate
As batalhas em Loop Hero são automáticas (Imagem: Divulgação)

As construções nas partes externas do mapa remetem a jogos de gerenciamento (Sim City, por exemplo). Observamos o mapa de cima, como um jogo de tabuleiro. Incrível como um jogo de visual e sons simples (com gráficos pixelados que remetem aos primeiros jogos do início dos anos 90) surpreende e nos prende como nunca.

Toda essa combinação e mescla em Loop Hero tinha tudo para ser complexo e confuso. Mas não, tudo é funcional e bem eficiente, você aprende a controlar rápido o seu mundo e o seu mapa. As batalhas rápidas no circuito deixam tudo ainda mais dinâmico. E é bonito de ver o mapa recheado por nossas ideias e escolhas de estratégias. Tudo ficando “vivo” num ambiente criado e controlado por nós.

Vale dizer também que todo seu progresso do jogo pode ser salvo sempre que quiser. E o game está todo no idioma português brasileiro.

Veredito

A versão analisada aqui foi a de Nintendo Switch que está recebendo o jogo agora nesse final de ano. Fica o destaque para o modo portátil que apresenta as funções de touch na tela, isso agiliza muito no controle das cartas e toda sua distribuição pelo mapa.

Loop Hero é como aquele jogo que é difícil de se explicar em palavras, mas auto explicativo numa primeira jogada, que mistura vários estilos de jogos e ainda consegue ser único. E é viciante demais.

Eu nunca soube que estava preparado para algo assim. Afinal nunca tinha jogado algo assim.

Joguei muitos games nesse 2021, mas Loop Hero é, com toda a certeza, o jogo mais criativo que vi esse ano.

Nota final 5/5

*análise feita com código cedido pela distribuidora